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Venezuela denuncia sanções «ilegais e indignas» da União Europeia

O governo venezuelano convocou os embaixadores dos países-membros da UE acreditados no país a comparecerem no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Caracas, para ali lhes entregar uma nota de protesto formal contra as sanções recentes impostas pelo bloco europeu.

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça é um dos visados pelas sanções recentes da UE (na imagem, sede do STJ, em Caracas)
O presidente do Supremo Tribunal de Justiça é um dos visados pelas sanções recentes da UE (na imagem, sede do STJ, em Caracas)Créditos / diariolasamericas.com

O executivo venezuelano formaliza, deste modo, a resposta diplomática às sanções que o Conselho da União Europeia (UE) aprovou esta segunda-feira contra sete altos cargos venezuelanos, proibindo-os de entrar no território da UE e congelando os seus activos – caso os tenham – na UE.

Os visados pelas medidas restritivas da UE são a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena; o procurador-geral, Tarek William Saab; o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Maikel Moreno, e o director dos serviços secretos, Gustavo González.

Ainda, o ministro do Interior, Justiça e Paz, Néstor Reverol; o chefe do Governo do Distrito Capital, Antonio Benavides; e o deputado à Assembleia Nacional Constituinte e primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, indica a Prensa Latina.

Em declarações à imprensa, Diosdado Cabello sublinhou que as sanções não visavam o «chavismo» ou dirigentes governamentais, mas procuravam atingir a Venezuela, «minando o diálogo» com a oposição.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país latino-americano qualificou as sanções como «ilegais, unilaterais e indignas», tendo acusado a UE de se «transformar num instrumento ao serviço das pretensões imperialistas do governo norte-americano, violando as normas mais elementares do Direito Internacional».

«Estas decisões evidenciam uma política errática e intervencionista para com o nosso país, que traz à memória antigas e ultrapassadas manobras colonialistas de vetustos impérios, expulsos da Nossa América há já 200 anos, pela coragem e vontade de liberdade dos nossos povos», refere o Ministério na nota oficial emitida ontem.

Face a este cenário, o Ministério considera que a resposta dada pela Assembleia Nacional Constituinte (ANC) foi «veemente», ao convocar o povo para eleições, aprovando por unanimidade a proposta ontem formulada por Diosdado Cabello no Palácio Legislativo Federal para antecipar as eleições presidenciais até ao final do primeiro quadrimestre deste ano.

A presidente da ANC, Delcy Rodríguez, sublinhou que esta medida vai consolidar o ciclo eleitoral em defesa da paz e da soberania.

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