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Venezuela denuncia morte de segunda criança vítima do bloqueio dos EUA

Como consequência do bloqueio imposto à Venezuela pelos EUA – instrumento utilizado para derrubar o governo de Nicolás Maduro –, faleceu mais uma criança privada de acesso ao transplante de medula óssea.

As sanções à Venezuela afectam os programas de saúde, denunciou o secretário executivo do Conselho Nacional de Direitos Humanos da Venezuela, Larry Devoe
As sanções à Venezuela afectam os programas de saúde, denunciou o secretário executivo do Conselho Nacional de Direitos Humanos da Venezuela, Larry Devoe Créditos / mppre.gob.ve

O secretário executivo do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Larry Devoe, denunciou esta sexta-feira na sua conta de Twitter que a intervenção cirúrgica não se pôde realizar devido à suspensão do acordo estabelecido entre a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) e uma associação que luta contra o cancro infantil – a ATMO.

A criança, de sete anos, tinha leucemia linfoblástica aguda e foi a segunda a falecer enquanto aguardava por um transplante da medula óssea. O procedimento, realizado no âmbito de um acordo alcançado entre a Venezuela e a Itália, foi suspenso devido às sanções impostas pela administração norte-americana, que levam ao cancelamento dos pagamentos correspondentes, explicaram as autoridades venezuelanas, de acordo com a VTV.

Numa entrevista recente à agência Xinhua, Devoe denunciou que as sanções directas contra a PDVSA implicaram, na prática, o fim de iniciativas sociais dirigidas a pacientes em situações de fragilidade, sublinhando que pessoas que necessitam de ser submetidas a intervenções cirúrgicas para salvar as suas vidas estão a ser afectadas pelas medidas impostas pelos Estados Unidos.

As autoridades venezuelanas acusam o Novo Banco de reter o dinheiro destinado ao pagamento dos tratamentos das crianças com cancro, devido às sanções impostas por Trump

As autoridades venezuelanas «apresentaram provas de como este bloqueio económico e financeiro está a ter impactos nas camadas mais vulneráveis da população e, neste caso, em pacientes, pessoas doentes», disse Devoe, explicando que, por diversas vezes, a banca internacional cancelou e deixou sem efeito as transferências solicitadas pela PDVSA e outras instituições, no valor de 4 851 278 euros, destinadas ao tratamento de pacientes crónicos.

No início deste mês, quando da morte da primeira criança que aguardava pelo transplante de medula óssea, a vice-presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, acusou a administração norte-americana e a extrema-direita venezuelana pelo facto.

No Twitter, Rodríguez escreveu que «a administração dos EUA e os seus golpistas na Venezuela são responsáveis directos pela morte deste menino! Roubaram a CITGO [filial norte-americana da Petróleos de Venezuela (PDVSA)] para satisfazer os seus mesquinhos anseios imperiais e eliminaram nobres programas sociais para ajudar crianças no mundo, concebidos no socialismo bolivariano».

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