|Brasil

Teste decisivo à democracia brasileira adiado para a segunda volta

O candidato fascista Jair Bolsonaro falhou a aposta numa eleição à primeira volta para a presidência do Brasil. Unidade do campo democrático em torno da coligação PT-PCdoB é o principal desafio.

Fernando Haddad, ladeado por Gleise Hoffman (esquerda), presidente do PT, e Manuela D'Ávila (direita), candidata a vice-presidente indicada pelo PCdoB
Fernando Haddad, ladeado por Gleise Hoffman (esquerda), presidente do PT, e Manuela D'Ávila (direita), candidata a vice-presidente indicada pelo PCdoBCréditosRicardo Stuckert

O candidato da extrema-direita e do patronato brasileiro recolheu 46% dos votos na eleição de ontem, quando estão contabilizados todos dos votos. A candidatura de Fernando Haddad (PT) e Manuela D'Ávila (PCdoB) vai disputar a segunda volta com Bolsonaro, a 28 de Outubro, depois de obter 29,3% dos votos expressos na votação de ontem. Em terceiro, com 12,5%, ficou Ciro Gomes, que já anunciou o apoio à dupla Haddad-Manuela.

Os últimos dias de campanha para a primeira volta foram marcados pelos apelos ao voto útil anti-petista por Jair Bolsonaro, acompanhados pela proliferação de notícias falsas sobre Fernando Haddad e Manuela D'Ávila divulgadas através da rede social WhatsApp.

Unidade democrática, popular e patriótica

Num discurso perante os seus apoiantes, Haddad apelou à unidade dos «democratas do Brasil, as pessoas que têm atenção aos mais pobres», de acordo com o Portal Vermelho. O apoio à candidatura do PT-PCdoB teve maior apoio eleitoral precisamente nos municípios com menor índice de desenvolvimento humano e com maior número de beneficiários do Bolsa Família, programa criado nos governos de Lula da Silva para apoiar financeiramente as famílias mais pobres, escreve hoje a Folha de São Paulo.

A polarização deu-se também no plano regional, com os estados do Nordeste a votarem maioritariamente em Haddad e Ciro Gomes, ao contrário do que aconteceu no resto do país, em que Bolsonaro foi o mais votado.

Candidatura fascista alimenta-se do golpe e dos golpistas

As forças que protagonizaram o golpe que afastou Dilma Rousseff da presidência, em Agosto de 2016, acabaram por ser os principais derrotados na corrida presidencial, com Geraldo Alckmin (PSDB) a não chegar aos 5%, Henrique Meirelles (PMDB, ex-ministro das Finanças do governo Temer) a ficar-se pelos 1,2% e Marina Silva (Rede) a recolher apenas 1%.

Jair Bolsonaro, apesar de ter sido o candidato mais votado, aproveitou a noite eleitoral para recuperar um argumento de campanha que já tinha utilizado para ameaçar não reconhecer os resultados caso não seja eleito presidente: a fiabilidade das urnas electrónicas. O candidato preferido do patronato brasileiro prometeu acabar com «todos os activismos», num vídeo emitido em directo no Facebook.

Tópico