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Rússia acusa a Ucrânia de não assumir o controlo das suas forças armadas

Em declarações à imprensa, esta terça-feira, um porta-voz do Kremlin sublinhou ainda que a integração da Ucrânia na NATO não será aceite pela população do Donbass e só irá exacerbar a crise.

Zona civil atacada por artilharia pesada no Donbass 
Zona civil atacada por artilharia pesada no Donbass Créditos / @iehutin

A Rússia não vê sinais de que Kiev queira abandonar a «retórica belicosa», «acalmar-se de alguma forma» e assumir o controlo das Forças Armadas da Ucrânia na linha de contacto no Donbass, que «frequentemente são a causa de provocações» nessa parte do Sudeste do país, disse ontem à imprensa Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, citado pela TASS.

Numa visita à Índia, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, afirmou que a Rússia espera que os países ocidentais pressionem a Ucrânia no sentido de cumprir o Acordo de Minsk sobre a guerra no Donbass, alcançado em Fevereiro 2015 entre a Ucrânia, a Rússia, a França e a Alemanha.

«Kiev passou da crítica ao quadro político para resolver a crise no Donbass para ameaças de acção militar e espero que (...) as capitais europeias exijam que [o presidente ucraniano] Zelensky implemente o Acordo de Minsk», disse Lavrov, citado pela TeleSur, no final de uma reunião com o seu homólogo indiano, Subrahmanyam Jaishankar.

Por seu lado, o ministro ucraniano para os territórios temporariamente ocupados, Alexey Reznikov, disse ao canal ICTV que Kiev não enviará delegados a Minsk quando forem retomadas as consultas do Grupo de Contacto Trilateral (integrado por Rússia, Ucrânia e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa – OSCE).

Reznikov advogou a busca de «uma cidade e de um país diferentes», argumentando que «a Bielorrússia está sob influência da Rússia» e «não tem confiança» nela.

Escalada de tensões e provocações

A tensão entre ambos os países agudizou-se depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter aprovado um decreto que visa a recuperação da Crimeia, reintegrada na Rússia após o referendo realizado em Março de 2014, pouco depois do golpe de Estado fascista em Kiev, com a decisão favorável da esmagadora maioria da população do território.

Moscovo enviou tropas para a fronteira com a Ucrânia e acusou Kiev de ter levado a cabo «múltiplas» acções de provocação na «linha de separação» com as forças militares das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, no Donbass. Ambas as partes se acusaram de violações do cessar-fogo e pela escalada do conflito.

Peskov recordou esta terça-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, manteve há alguns dias uma conversa com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o presidente francês, Emmanuel Macron, na qual expôs as preocupações de Moscovo com a situação na Ucrânia e, em particular, com as acções do país vizinho para agravar o cenário de conflito no Sudeste.

Adesão da Ucrânia à NATO não será aceite por quem vive no Donbass

Em declarações à imprensa, Dmitry Peskov disse ainda que o Kremlin tem sérias dúvidas de que a adesão da Ucrânia à NATO a ajude a lidar com os seus problemas internos, tendo sublinhado que, com esse passo, Kiev só irá agravar «a crise», uma vez que a ideia da integração na NATO é «profundamente inaceitável» para os milhões de pessoas que vivem nas autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, refere a TASS.

A observação de Peskov segue-se à afirmação feita, também esta terça-feira, pelo presidente ucraniano de que «a NATO é a única via para acabar com a guerra no Donbass», na sequência de uma conversa telefónica com o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg.

Também ontem, o vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Ryabkov, disse à TASS que Moscovo tinha discutido a situação no Donbass com a administração norte-americana, alertando-a para as «consequências das políticas provocadoras de Kiev no Donbass», bem como para «o comportamento cada vez mais desafiante» dos seus apoiantes ocidentais, liderados pelos EUA.

Na segunda-feira, um representante do Departamento de Estado norte-americano afirmou que Washington estava disponível para «interagir» com Moscovo sobre a situação no Leste na Ucrânia. Quanto às movimentações de tropas russas perto da fronteira com a Ucrânia e na Crimeia, considerou-as «credíveis», refere ainda a TASS, e instou a Rússia a não realizar acções «que possam conduzir a uma escalada».

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