«Merece vivo repúdio a exigência de governos europeus para a demissão de Francesca Albanese, a Relatora Especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados que se tem caracterizado pela denúncia firme e corajosa dos crimes de Israel e pela intransigente defesa do direito internacional», lê-se numa nota divulgada na página do movimento, na internet.
Em causa estão reacções à participação de Albanese num fórum organizado em Doha pela Al Jazeera, cujas declarações foram deturpadas. França, Alemanha, Itália e República Checa pediram a demissão de Francesca Albanese, acusando-a de ter afirmado que Israel é o «inimigo comum da humanidade», expressão que a própria já assumiu ser falsa e descontextualizada.
«A França condena sem reservas os comentários ultrajantes e repreensíveis feitos pela Sra. Francesca Albanese, que não são dirigidos ao governo israelita, cujas políticas podem ser criticadas, mas a Israel como povo e como nação, o que é absolutamente inaceitável», afirmou o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot. A mensagem mereceu o repúdio da Comissão Internacional de Apoio aos Direitos do Povo Palestino (ICSPR, na sigla em inglês). «Esta medida francesa está em consonância com as campanhas de incitamento levadas a cabo por Israel e alguns países ocidentais, bem como com as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos», denuncia a comissão, citada no comunicado.
Segundo o MPPM, «compreende-se a reacção ofendida dos governos francês e alemão, não pelo que Albanese disse de Israel, mas pela denúncia que fez dos seus cúmplices». «É um facto que, em vez de deter Israel, a maior parte do mundo tem-lhe dado armas, desculpas e abrigo político, apoio económico e financeiro. […] Nós, que não controlamos os grandes volumes de capital financeiro, os algoritmos e as armas, vemos agora que a humanidade tem um inimigo comum», afirmou a relatora das Nações Unidas no referido fórum, tendo esta frase sido um dos alvos da desinformação.
O MPPM enaltece o trabalho da relatora especial Francesca Albanese, uma das mais proeminentes vozes internacionais a alertar para o genocídio em Gaza, e condena quaisquer interferências políticas, sanções ou ameaças que visem pôr em causa a sua independência.
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