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MPPM contesta pressões para demissão de Francesca Albanese

O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino (MPPM) manifesta-se contra a pressão exercida por governos europeus exigindo a demissão da relatora especial das Nações Unidas. 

Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinianos ocupados, foi sancionada pelo Governo dos Estados Unidos da América. Marco Rubio, secretário de estado dos EUA, destacou os esforços «vergonhosos» de Albanese para «incitar» o Tribunal Penal Internacional a agir contra empresas e autoridades dos EUA e Israel envolvidos no genocídio. 10 de Julho de 2025 
Créditos / ONU

«Merece vivo repúdio a exigência de governos europeus para a demissão de Francesca Albanese, a Relatora Especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados que se tem caracterizado pela denúncia firme e corajosa dos crimes de Israel e pela intransigente defesa do direito internacional», lê-se numa nota divulgada na página do movimento, na internet. 

Em causa estão reacções à participação de Albanese num fórum organizado em Doha pela Al Jazeera, cujas declarações foram deturpadas. França, Alemanha, Itália e República Checa pediram a demissão de Francesca Albanese, acusando-a de ter afirmado que Israel é o «inimigo comum da humanidade», expressão que a própria já assumiu ser falsa e descontextualizada. 

«A França condena sem reservas os comentários ultrajantes e repreensíveis feitos pela Sra. Francesca Albanese, que não são dirigidos ao governo israelita, cujas políticas podem ser criticadas, mas a Israel como povo e como nação, o que é absolutamente inaceitável», afirmou o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot. A mensagem mereceu o repúdio da Comissão Internacional de Apoio aos Direitos do Povo Palestino (ICSPR, na sigla em inglês). «Esta medida francesa está em consonância com as campanhas de incitamento levadas a cabo por Israel e alguns países ocidentais, bem como com as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos», denuncia a comissão, citada no comunicado. 

Segundo o MPPM, «compreende-se a reacção ofendida dos governos francês e alemão, não pelo que Albanese disse de Israel, mas pela denúncia que fez dos seus cúmplices». «É um facto que, em vez de deter Israel, a maior parte do mundo tem-lhe dado armas, desculpas e abrigo político, apoio económico e financeiro. […] Nós, que não controlamos os grandes volumes de capital financeiro, os algoritmos e as armas, vemos agora que a humanidade tem um inimigo comum», afirmou a relatora das Nações Unidas no referido fórum, tendo esta frase sido um dos alvos da desinformação.

O MPPM enaltece o trabalho da relatora especial Francesca Albanese, uma das mais proeminentes vozes internacionais a alertar para o genocídio em Gaza, e condena quaisquer interferências políticas, sanções ou ameaças que visem pôr em causa a sua independência.

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