As organizações que integram a Frente Sindical já tinham declarado, na passada sexta-feira, que convocavam uma greve e mobilização frente ao Congresso para o dia do debate do projecto de lei – provavelmente, esta quinta-feira, uma vez que o executivo de Javier Milei quer ver o seu «triunfo» proclamado quanto antes, para assim o poder estampar no discurso presidencial na sede legislativa, a 1 de Março.
A Frente Sindical reafirmou o seu plano de luta contra a reforma laboral e em defesa dos salários, denunciando que as medidas promovidas pelos «libertários» pretendem violar direitos históricos dos trabalhadores argentinos.
A CGT, cujo papel «dialoguista» com quem pretende triturar os direitos laborais tem sido alvo de muitas críticas, demorou mais tempo a decidir-se, mas esta segunda-feira, numa reunião de emergência realizada por Zoom, o seu Conselho Directivo aprovou por unanimidade a realização da greve, que também irá abranger o sector dos transportes.
No entanto, as divergências no seio do movimento sindical quanto ao endurecimento da luta face a um projecto de lei que já teve a aprovação do Senado continuam patentes, uma vez que – referem o Página 12 e o Tiempo Argentino – as propostas no sentido de avançar com uma mobilização não prosperaram no Conselho Directivo da CGT.
Entretanto, a CGT anunciou uma conferência de imprensa para esta quarta-feira, às 11h (14h em Portugal continental e Madeira), em que deverão ser abordadas as medidas de luta contra um projecto de lei que «enxovalha direitos históricos dos trabalhadores», nomeadamente no que respeita ao aumento do horário até às 12 horas de trabalho contínuo, à flexibilização das férias ou às indemnizações.
Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA) apela à mobilização
A CTA também convocou uma greve para esta quinta-feira, para lutar contra a possibilidade de que o projecto de reforma laboral se torne lei. No entanto, ao contrário da CGT, a jornada de luta revelada pela central sindical inclui uma mobilização no centro de Buenos Aires.
Rodolfo Aguiar, secretário-geral da Associação Trabalhadores do Estado (ATE), que é membro da CTA e integra a Frente Sindical, mostrou-se muito crítico com aquilo a que chamou «paralisações domingueiras», que, em seu entender, não serão capazes de travar nem a reforma laboral, nem o «brutal programa de austeridade de Javier Milei».
Na sua conta de Twitter (X), Aguiar disse que «os trabalhadores não merecem pagar o custo do medo» daqueles que não querem vir para rua, depois de já ter defendido a necessidade de criar «um clima de maior hostilidade» e sublinhando que «a indignação social começou a crescer».
Por seu lado, Hugo Yasky, secretário-geral da CTA, disse que o projecto de lei da reforma laboral foi «concebido para favorecer as grandes corporações», acrescentando que «não apenas atinge os trabalhadores», mas visa consolidar «um esquema social regressivo, assente na flexibilização e a precarização laboral, com perda de direitos».
Luta crucial para o futuro dos trabalhadores argentinos
Claudio Dellecarbonara, delegado sindical dos trabalhadores do metro, considerou positivo o anúncio da realização da greve, que «tínhamos vindo a reclamar às direcções das centrais sindicais há muito tempo».
«Devemos pôr toda a força da nossa classe, que impulsiona a economia, […] ao serviço de uma luta que é crucial para o presente e o futuro dos trabalhadores», disse, citado pelo Tiempo Argentino.
Disse ainda que a legislação em debate é «esclavagista» e que, se for aprovada, «nos coloca à beira de um futuro sombrio».
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