As acções de protesto, realizadas este domingo por iniciativa da plataforma Povo Indiano em Solidariedade com a Palestina (IPSP, na sigla em inglês), tiveram como ponto central a denúncia da viagem prevista de Narendra Modi a Israel, tendo em conta o genocídio em curso na Faixa de Gaza e as violações contínuas, por parte da ocupação, dos termos do acordo de cessar-fogo, alcançado em Outubro último.
Segundo refere o Peoples Dispatch, houve protestos na capital, Nova Déli, em Mumbai e Pune (estado de Maharashtra), Visakhapatnam e Vijayawada (Andhra Pradesh), Hyderabad (Telangana), Patna (Bihar) e Calcutá (Bengala Ocidental).
Além de exigirem o cancelamento da viagem de Modi e o corte de relações com Israel, os participantes expressaram a sua solidariedade com a Palestina, exibindo faixas, cartazes e bandeiras do país, e gritando palavras de ordem contra a agressão imperialista que sofre, em que incluíram o chamado Conselho da Paz.
Nalguns dos protestos, indica a fonte, foram queimadas efígies do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, entre gritos de «criminoso de guerra» e afirmações de que «a Palestina será livre do rio até ao mar».
«Discurso duplo» sobre a Palestina
Na cidade de Pune, vários participantes na mobilização ficaram feridos e perto de duas dezenas foram detidos, tendo sido libertados com acusações, como a de participação em concentração ilegal.
Em comunicado, a IPSP denunciou as detenções e o processamento judicial dos manifestantes como uma violação dos direitos democráticos fundamentais dos cidadãos indianos.
Também acusou o governo indiano de ter um «discurso duplo» sobre a Palestina, «reforçando os laços com Israel, por um lado, e apoiando oficialmente a Palestina, por outro».
O texto acusa ainda «o governo fascista do BJP [Partido Bharatiya Janata]» de, ao apresentar uma «fachada democrática», estar «em conluio com o genocida Israel», e sublinha que a solidariedade com a Palestina se irá manter firme na Índia, independentemente da repressão.
Corte de relações com Israel
A visita programada de Narendra Modi a Israel segue-se a uma década de reforço dos laços militares e económicos entre os dois países, recorda o Peoples Dispatch.
No comunicado, a IPSP destaca que o governo de extrema-direita «opta por estar ao lado de Israel», num contexto de violações contínuas do cessar-fogo na Faixa de Gaza e em que o imperialismo faz horas-extra para que as corporações lucrem com a ocupação da Palestina.
Apesar do acordo de trégua anunciado a 10 de Outubro de 2025, Israel continua a restringir a entrada de ajuda no enclave e já matou mais de 600 palestinianos desde então.
O anúncio do chamado Conselho da Paz pelo presidente dos EUA, Donald Trump, foi alvo de múltiplas críticas na Índia, da parte de organizações solidárias e partidos de esquerda, que denunciam a sua falta de legitimidade e insistem na exigência ao governo de Modi para que não adira a tal plataforma.
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