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Programa Alimentar Mundial corta ajuda no Haiti por falta de fundos

O organismo das Nações Unidas alertou, esta segunda-feira, que será incapaz de prestar apoio a cerca de 100 mil haitianos este mês, devido à redução no nível de financiamento.

Crinaça com um prato na mão num bairro de Porto-Príncipe, Haiti 
Crinaça com um prato na mão num bairro de Porto-Príncipe, Haiti Créditos / PressTV

Jean-Martin Bauer, director do Programa Alimentar Mundial (PAM) para o Haiti, disse ontem que, por comparação com o mês anterior, o organismo das Nações Unidas se viu forçado a reduzir em 25%, em Julho, o número de pessoas a quem presta ajuda alimentar no país caribenho.

«Estes cortes não podiam ocorrer em pior altura, já que os haitianos enfrentam uma crise humanitária multifacetada, com as suas vidas e meios de subsistência afectados pela violência, a insegurança, a agitação económica e choques climáticos», disse.

De acordo com o responsável, com mais de meio ano passado, o plano de resposta do PAM no Haiti só recebeu 16% do financiamento, sendo que o organismo das Nações Unidas necessita urgentemente de 121 milhões de dólares para ser capaz de continuar a dar «ajuda humanitária vital» ao longo de 2023.

Bauer explicou que, dos 11 de milhões de habitantes do Haiti, 4,9 milhões não têm meios para encontrar comida e necessitam de ajuda. «O país vive um nível sem precedentes de necessidades humanitárias», disse, acrescentando que há 750 mil pessoas que precisam de apoio alimentar urgente.

No entanto, alertou, com o actual nível de financiamento, o Programa Alimentar Mundial não possui recursos para dar as respostas de que o país caribenho necessita. «Tragicamente, isto significa que 100 mil dos haitianos mais vulneráveis vão ser obrigados a ficar sem ajuda do PAM este mês», frisou.

«A não ser que recebamos fundos imediatamente, não pomos de parte novos cortes devastadores», disse ainda o director do PAM no Haiti, agravando os problemas de má-nutrição severa e mortalidade existentes.

Ao longo de 2023, a agência das Nações Unidas forneceu refeições quentes a mais de 450 mil crianças em idade escolar no Haiti. «Para muitas, é a única refeição completa que comem no dia», informa o portal da ONU.

Em Maio último, o PAM e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicaram um relatório de acordo com o qual a insegurança alimentar deverá aumentar em 18 «focos» de fome no mundo.

Países como o Afeganistão, a Nigéria, a Somália, o Sudão do Sul e o Iémen mantêm-se no nível «mais elevado de preocupação». Juntaram-se-lhes o Haiti, o Burkina Faso, o Mali e o Sudão.

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