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Diplomacia cubana expõe na Unesco consequências do recrudescimento do bloqueio

A representante permanente de Cuba junto da Unesco, María del Carmen Herrera, explicou esta quarta-feira ao director-geral da organização, Khaled El-Enany, o impacto do cerco energético imposto pelos EUA.

María del Carmen Herrera Caseiro, representante permanente de Cuba junto da Unesco (imagem de arquivo) Créditos / cubaminrex.cu

A sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris, acolheu o encontro em que a diplomata cubana apresentou detalhes sobre o impacto da ordem executiva firmada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a 29 de Janeiro último, na qual declarou Cuba como «uma ameaça inusual e extraordinária» à segurança nacional dos EUA e ameaçou impor tarifas aos países que vendam ou forneçam petróleo à Ilha.

Herrera descreveu a escalada de hostilidade de Washington como um «acto brutal de agressão» e recordou que o país caribenho enfrenta um bloqueio económico, comercial e financeiro há mais de 65 anos, uma política que contraria o direito internacional, a Carta da ONU e os valores que norteiam o trabalho da Unesco, indica a Prensa Latina.

«Com esta decisão, o governo norte-americano pretende, através da ameaça e da coacção a países terceiros, reforçar as medidas de estrangulamento económico impostas desde o primeiro mandato de Trump», enfatizou.

É Washington que ameaça a paz e o multilateralismo

A embaixadora cubana insistiu, no encontro, que é Washington que, «com a sua cruzada, ameaça a paz e o multilateralismo, e desafia a soberania dos estados» com o alcance extraterritorial do seu bloqueio.

Herrera explicou a El-Enany os danos que a intensificação desta política está a causar à vida quotidiana dos habitantes da ilha, particularmente em sectores sensíveis como a saúde e a educação.

A este propósito, disse ao seu interlocutor que Cuba está a resistir e a tomar medidas para enfrentar e mitigar as consequências da escalada de agressão que representa o bloqueio petrolífero.

Salientou ainda a importância da solidariedade e do apoio internacional no actual cenário de brutal pressão contra o seu pequeno país.

Por seu lado – refere a fonte –, o director-geral da Unesco reconheceu as consequências do contexto actual para a educação, a saúde, a cultura e a ciência – áreas da responsabilidade da organização multilateral, da qual Cuba é membro desde 29 de Agosto de 1947.

El-Enany destacou os laços entre a Ilha e esta agência das Nações Unidas, bem como o trabalho do gabinete regional com sede em Havana. Reafirmou, além diso, a vontade de estreitar os laços e a cooperação com o país caribenho.

Esta semana, Cuba, representada pela diplomata Laura Álvarez, já tinha denunciado a intensificação do bloqueio norte-americano junto da Unesco, ao intervir na abertura da XIX Sessão do Comité Intergovernamental da Convenção de 2005 sobre a Protecção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais.

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