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Preso palestiniano morreu em prisão israelita

Bassam al-Sayeh faleceu em circunstâncias que apontam para negligência médica intencional. Autoridades e forças políticas palestinianas condenaram o «crime» e o movimento dos presos cumpre 3 dias de luto.

Autoridade palestiniana e forças políticas responsabilizaram Israel pela morte de Bassam al-Sayeh
Autoridade palestiniana e forças políticas responsabilizaram Israel pela morte de Bassam al-Sayeh Créditos / anews.com.tr

O prisioneiro palestiniano Bassam al-Sayeh, de 47 anos, morreu este domingo em Israel devido a negligência médica, indicou a agência turca Anadolu num despacho. Por seu lado, a Sociedade de Prisioneiros Palestinianos afirmou em comunicado que «Sayeh morreu no hospital israelita de Assaf Harofeh, no domingo à tarde, depois de ter sido transferido de uma prisão israelita, devido ao seu estado clínico».

Trata-se do terceiro palestiniano a morrer nos cárceres israelitas este ano, revelou o MPPM com base na informação divulgada pela Addameer (Associação de Apoio e Direitos Humanos dos Presos). Fares Mohammed Baroud, que passara 28 anos nas prisões israelitas, morreu em Fevereiro, com 51 anos; Nassar Majed Taqatqah, de 31 anos, morreu, em Julho, quando se encontrava em isolamento na prisão de Nitzan.

Doença, tortura, negligência médica

Na nota que emitiu esta segunda-feira, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) revela que Al-Sayeh foi preso em 8 de Outubro de 2015, no tribunal militar de Salem, quando assistia ao julgamento da sua mulher.

Sofria de cancro ósseo desde 2011 e, apesar disso, as forças de ocupação israelitas transferiram-no para o centro de interrogatórios de Petah Tikva. Então, Bassam al-Sayeh «informou o advogado da Addameer, durante uma visita, de que era interrogado diariamente durante longas horas, tendo desmaiado várias vezes durante os interrogatórios e na cela. Esteve cerca de 20 dias sem qualquer assistência ou tratamento médico», lê-se na nota.

«Devido à tortura, à negligência médica e ao protelamento na prestação dos cuidados médicos de que necessitava, a sua saúde deteriorou-se seriamente ao longo dos últimos quatro anos» e, em 2013, foi-lhe diagnosticada leucemia.

Apesar do agravamento do seu estado clínico e dos repetidos apelos à sua libertação, Al-Sayeh foi transferido pelas forças israelitas, no final de Julho, para a clínica Al-Ramla – um espaço a que os presos palestinianos «chamam "o matadouro", devido ao mau tratamento que aí recebem».

221 mortes nas cadeias israelitas desde 1967

Com a morte de Al-Sayeh, o número de presos palestinianos que morreram nas prisões de Israel desde 1967 sobe para 221, informa a Addameer, havendo actualmente mais de 700 que sofrem de doenças graves nas cadeias de Israel. Destes, 160 necessitam de cuidados médicos urgentes, segundo a agência WAFA.

Tanto representantes da Autoridade Palestiniana como membros das forças políticas palestinianas condenaram em termos veementes a política israelita de negligência médica e de maus-tratos infligidos aos presos palestinianos, responsabilizando o governo de Netanyahu pela morte do preso de Nablus (Norte da Margem Ocidental ocupada).

O movimento dos presos palestinianos declarou três dias de luto, tendo afirmado que «a ocupação sionista e a administração prisional [são] total e directamente responsáveis pelo martírio de Al-Sayeh, devido à negligência médica de que foi vítima e à política de morte lenta».

De acordo com a WAFA, ontem os presos palestinianos recusaram as refeições nos presídios israelitas, como forma de protesto.

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