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PAM anuncia suspensão do programa de prevenção de malnutrição no Iémen

A suspensão da iniciativa do Programa Alimentar Mundial (PAM), por falta de fundos, deverá ter um impacto em cerca de 2,4 milhões de iemenitas que sofrem de malnutrição.

Karima, uma criança iemenita de sete anos, vê a sua mãe a fazer pão 
Karima, uma criança iemenita de sete anos, vê a sua mãe a fazer pão Créditos / Programa Alimentar Mundial

O PAM, das Nações Unidas, anunciou este fim-de-semana que vai cessar o programa de prevenção de malnutrição no Iémen, a partir de Agosto, devido a falta de fundos e a cortes frequentes no abastecimento.

«A grave escassez de financiamento, aliada à interrupção contínua de abastecimento, obrigar-nos-á a suspender completamente as actividades de prevenção da malnutrição no Iémen, a partir de Agosto, o que afectará 2,4 milhões de pessoas que sofrem de malnutrição no país, que se encontram entre as mais vulneráveis», afirmou o organismo numa nota.

Para fazer frente à crítica situação no país árabe, a agência da ONU acrescentou que pretende redireccionar os limitados fundos disponíveis para os casos mais graves de malnutrição.

O PAM anunciou, além disso, que, tendo em conta o grave défice de financiamento, irá converter transferências em dinheiro em transferências em espécie para mais de 900 mil beneficiários, numa tentativa de prolongar as distribuições de alimentos e de manter o programa em funcionamento, refere o portal The Cradle.

O plano previsto de actividades do programa entre Agosto de 2023 e Janeiro de 2024 foi severamente afectado pela falta de financiamento, sendo que, dos cerca de mil milhões de dólares necessários para o seu funcionamento, apenas foram reunidos 139 milhões.

O valor foi confirmado em Junho, com doações da Austrália, dos Estados Unidos, do Fundo Humanitário para o Iémen, da Noruega e da União Europeia.

O subfinanciamento do programa vai limitar a capacidade do PAM para fornecer a ajuda necessária num país devastado pela guerra e onde milhões são afectados pela fome e a malnutrição.

As crianças são particularmente visadas, com alertas frequentes da parte do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) para a situação crítica que enfrentam no país árabe.

Num relatório, em Março último, alertava que milhões de menores estão em risco severo de malnutrição e que «uma criança morre a cada dez minutos de doenças evitáveis», como cólera, sarampo, difteria, entre outras.

Oito anos de guerra

A grave crise humanitária no Iémen, a que a ONU se referiu como a pior crise humanitária do mundo, teve origem na campanha de agressão iniciada a 26 de Março de 2015, envolvendo a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e outros aliados regionais, com o apoio dos EUA, do Reino Unido e de outras potências europeias.

A agressão da coligação liderada pelos sauditas teve como objectivo declarado suprimir a resistência do movimento Huti Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade que tinha sido deposto em 2014.

Nos oito anos de conflito, quase 400 mil pessoas perderam a vida, num país cujas infra-estruturas foram arrasadas pelos bombardeamentos da coligação saudita.

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