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Palestinianos juntam forças contra o financiamento aos colonatos

Mais de 150 organizações palestinianas e conselhos de aldeias promovem uma campanha para travar os fundos provenientes dos EUA para construir colonatos israelitas na Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Palestinianos protestam contra a decisão recente dos EUA sobre os colonatos no «Dia da Ira»
Palestinianos num protesto contra os colonatos e a mudança de política dos EUA sobre eles (imagem de arquivo) Créditos / Sputnik

A campanha, designada «Desfinanciar o Racismo», pede aos apoiantes dos palestinianos nos Estados Unidos que pressionem a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, para que revogue as licenças atribuídas às várias organizações de beneficência sedeadas nesse estado que financiam os colonatos israelitas, informa a agência WAFA.

Visa especificamente a Israel Land Fund, a Hebron Fund, a Ateret Cohanim, a Friends of Ir David (Elad) e a Regavim, principais organizações que estão a trabalhar nos bairros de Silwan e Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental ocupada, cujos residentes palestinianos correm o risco de expulsão.

«As organizações de colonos israelitas têm canalizado dinheiro da caridade norte-americana para uma política de expulsão. Actualmente, mais de cem casas e cerca de 1500 palestinianos no Bairro de Silwan, em Jerusalém Oriental, estão sob ameaça de expulsão, para dar lugar a um parque temático em terras palestinianas dirigido pela organização Elad», denunciou Sami Huraini, membro da Youth of Sumud, citada pela WAFA.

Entre 1999 e 2020, apenas seis das organizações de beneficência com sede nos EUA que financiam os colonos israelitas registaram mais de 392 milhões de dólares em receitas brutas nos seus documentos de impostos.

Solidariedade em Nova Iorque, numa campanha «diferente»

Hisham Sharabati, do Comité de Defesa de Hebron (al-Khalil), disse que outras campanhas visando travar o fluxo de dinheiro da «caridade» norte-americana «ficaram sem resposta por causa dos burocratas».

«Esta campanha é diferente. Tendo em conta que as organizações de caridade nos EUA têm de manter a nível estadual o estatuto 501(c) do código federal de impostos, a campanha visa um funcionário eleito, que pode ser responsabilizado pelos seus eleitores — neste caso, Letitia James», explicou.

Lara Kilani, do Good Shepherd Collective, sublinhou o interesse crescente pela «luta comum» contra as atrocidades de Israel. «As mobilizações a que assistimos em Maio para denunciar os despejos de famílias em Sheikh Jarrah e o bombardeamento israelita sobre Gaza ilustram a vontade das pessoas de serem solidárias com os palestinianos», disse.

Para o próximo dia 27 está agendado um protesto em Brooklyn, frente ao gabinete de Letitia James, organizado pela NY4Palestine, uma coligação de organizações solidárias com a Palestina na área metropolitana de Nova Iorque, que inclui Al-Awda NY, Within Our Lifetime, Samidoun e American Muslims for Palestine (NJ Chapter).

Mais de 600 mil israelitas vivem em centenas de colonatos em Jerusalém Oriental e na Margem Ocidental ocupada – todos considerados ilegais à luz do direito internacional.

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