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Colonos israelitas arrasam terra palestiniana para construir a «estrada americana»

O propósito é abrir caminho à construção da «Estrada Americana», o anel rodoviário que ligará os colonatos localizados a norte e a sul de Jerusalém e ajudará a concretizar a anexação da Cisjordânia.

A chamada «American Road» em construção, cercando ainda mais Jerusalém Oriental
A chamada «American Road» em construção, cercando ainda mais Jerusalém Oriental Créditos / Political Uprise

De acordo com a informação ontem divulgada pelo Palestinian Information Center, os colonos israelitas soltaram os seus bulldozers e arrasaram muitos hectares de terra na cidade de Qusra, a sul de Nablus, na Margem Ocidental ocupada.

Ghassan Daghlas, funcionário da Autoridade Palestiniana que monitoriza as actividades de expansão dos colonatos, disse que a acção se enquadra no objectivo de construir a Estrada Americana, um anel de oito quilómetros que irá ligar o posto avançado de Esh Kodesh ao colonato de Migdalim.

O governo israelita e os colonos embarcaram recentemente numa escalada de actividades relacionadas com os colonatos na Margem Ocidental, que se enquadra nos planos de Benjamin Netanyahu para anexar o Vale do Jordão e outras partes dos territórios ocupados da Palestina.

Daghlas acrescentou que o anel rodoviário, quando estiver completo, também irá ligar todos os colonatos e postos avançados israelitas no Norte da Cisjordânia aos do Vale do Jordão.

Uma reportagem da Reuters revelou, na segunda-feira passada, que as partes central e sul da chamada Estrada Americana já estavam a ser construídas e que o concurso para a parte norte seria lançado mais para o fim do ano, com um custo estimado de 187 milhões de dólares. Prevê-se que o custo do projecto, no total, ascenda a mais de 250 milhões de dólares.

As autoridades israelitas argumentam que a estrada vai aliviar o trânsito tanto para os colonos como para os palestinianos que residem na área. No entanto, os palestinianos dizem que este novo anel visa acima de tudo beneficiar os colonos israelitas e minar ainda mais a possibilidade de que Jerusalém seja a capital do seu futuro Estado.

«Este projecto separa os bairros palestinianos uns dos outros dentro da cidade», disse à Reuters o ministro palestiniano dos Assuntos de Jerusalém, Fadi al-Hidmi. A Estrada Americana faz parte do projecto de anel rodoviário «ilegal» de Israel, que visa «cercar Jerusalém Oriental ocupada, ligá-la mais aos colonatos israelitas e separar a capital ocupada da Palestina do resto da Margem Ocidental», acrescentou.

Tornar inviável um Estado da Palestina

Actualmente, mais de 400 mil israelitas vivem em unidades habitacionais nos colonatos e outros 200 mil residem em Jerusalém Oriental ocupada. Os palestinianos sublinham que o aumento do número de colonatos torna inviável um futuro Estado.

Esta é precisamente a aposta de Netanyahu, mais clara desde que, em Janeiro, recebeu o «apoio» da administração norte-americana, quando foi revelado o plano de Donald Trump para o Médio Oriente, o chamado «Acordo do Século».

Além dos anúncios repetidos de que Israel vai anexar partes da Cisjordânia e da actividade acrescida nos colonatos, nos últimos tempos intensificaram-se – a um ritmo diário – as operações nocturnas e diurnas das forças militares de ocupação israelita nas terras palestinianas da Cisjordânia ocupada, com invasões de propriedade, revistas às casas e dezenas de detenções de palestinianos.

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