|Cazaquistão

Ordem constitucional «quase reposta», após fortes tiroteios em Almaty

Pelo menos 26 participantes nos distúrbios foram mortos e mais 3000 detidos, segundo as autoridades cazaques, que afirmam que a situação está sob controlo na maior parte do país. Em Almaty, houve fortes tiroteios.

CréditosVladimir Tretyakov / RT

De acordo com o Ministério do Interior do Cazaquistão, que se refere aos detidos como «criminosos», foram feridos 18 «terroristas armados». A informação, divulgada hoje pelo canal estatal de TV Khabar-24, acrescenta que 18 membros das forças de segurança foram mortos durante os protestos e que 750 ficaram feridos.

É a primeira vez que as autoridades cazaques divulgam números de mortos no âmbito da operação de «contraterrorismo», depois de uma porta-voz da Polícia ontem ter referido «dezenas de atacantes eliminados», quando tentavam assumir o controlo das esquadras. Uma fonte não oficial, mencionada pela RT ontem à noite, apontava para 30 mortos só em Almaty.

Por seu lado, o Ministério da Saúde deu conta de mais de mil manifestantes e saqueadores feridos, 400 dos quais foram hospitalizados, 62 nos cuidados intensivos, indicou também a RT ontem à noite.

Ordem constitucional «quase reposta» e ordem para «atirar a matar»

O presidente cazaque, Kassym-Jomart Tokayev, afirmou hoje que a ordem constitucional foi «quase reposta» na maior parte das regiões do país e que as autoridades locais controlam a situação.

Disse, no entanto, que os «terroristas» ainda estavam a utilizar armas para causar danos nas propriedades dos cidadãos e que, por isso, as «medidas de contraterrorismo» continuavam em vigor.

«A Polícia e os militares podem atirar a matar sem aviso», disse Tokyaev, segundo o qual o seu país está a «enfrentar militantes armados e bem-treinados, tanto locais como estrangeiros», indica a RT. «Só em Almaty – disse – há 20 mil bandidos.»

Manifestantes em Almaty no dia 4 de Janeiro de 2022 / Ruslan Pryniakov / RT

Fortes distúrbios e tiroteios, sobretudo em Almaty

Em Almaty, um grupo de «agitadores» barricou-se esta madrugada nas instalações da Mir TV e, segundo refere a televisão Khabar-24, havia corpos no exterior. Na maior cidade do Cazaquistão ocorreram tiroteios ontem ao longo do dia, que pararam e foram retomados ao anoitecer, aponta a TASS.

As forças de segurança usaram fogo real e, ontem ao final do dia, anunciaram que tinham «libertado» a praça central da cidade e a antiga residência presidencial, depois de, segundo números oficiais, manifestantes, saqueadores, «bandidos» e «terroristas armados» terem queimado pelo menos 120 automóveis, escavacado umas 120 lojas, 180 restaurantes e cafetarias, além de uma centena de escritórios.

Segundo refere a RT, que dá conta de disparos noutras cidades cazaques, os «manifestantes» começaram a organizar postos de controlo nos limites da cidade, onde obrigavam as viaturas militares a parar e os efectivos a despir os uniformes.

Recorde-se que o estado de emergência foi decretado em todo o país, na sequência dos protestos violentos generalizados, no passado dia 4, que se seguiram aos que se tinham registado, de forma mais pacífica, segundo refere a RT, no Sudoeste do Cazaquistão contra o aumento substancial no preço dos combustíveis.

No dia 5, o chefe de Estado demitiu o governo e pediu ajuda à Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC), integrado por Cazaquistão, Arménia, Bielorrússia, Quirguistão, Rússia e Tajiquistão, que aceitou destacar um contingente de «manutenção de paz» para ajudar a «estabilizar e normalizar» a situação, segundo referiu o secretariado do organismo.

Preocupação russa

As autoridades da Federação Russa, que tem uma extensa fronteira terrestre com o Cazaquistão (quase 7000 quilómetros), relações próximas com o país vizinho e uma comunidade numerosa a residir lá, afirmaram desde o início que estavam «a acompanhar a situação».

Ontem, Valentina Matvienko, porta-voz do Conselho da Federação Russa, afirmou que «os distúrbios no Cazaquistão ameaçam a segurança nos países vizinhos» e, em conversa telefónica com Maulen Ashimbayev, representante do Parlamento cazaque, mostrou preocupação com «a dimensão das acções ilegais de extremistas armados», refere a TASS.

Por seu lado, Leonid Slutsky, presidente da Comissão de Assuntos Externos da Duma Estatal, escreveu no seu Telegram que os protestos «não podem ser acompanhados por vandalismo, incêndios criminosos, pilhagens, intimidação da população e rebelião contra as autoridades legítimas».

Referindo-se também à decapitação de membros das forças de segurança, disse que «já assistimos a isto, também na Síria e no Iraque; isto é um padrão claro de intervenção terrorista».

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