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Tokayev: «pelo menos seis vagas de terroristas» atacaram Almaty

As autoridades cazaques dão conta do controlo da situação e da estabilidade crescente no país. No entanto, a tensão persiste e a Aeroflot cancelou vários voos com destino ao Cazaquistão.

Protestos e distúrbios em Almaty, Cazaquistão, no dia 5 de Janeiro de 2022 
Protestos e distúrbios em Almaty, Cazaquistão, no dia 5 de Janeiro de 2022 CréditosVladimir Tretyakov / RT

De acordo com a TASS, a situação no país da Ásia Central está a estabilizar gradualmente desde ontem e é marcada por uma «calma relativa», mas não assim em Almaty, onde se verificaram os maiores distúrbios, saques e tiroteios dos últimos dias.

O presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, que declarou 10 de Janeiro como dia de luto nacional, disse esta sexta-feira que a maior cidade do país foi palco de pelo menos «seis vagas de ataques terroristas.

«Bandidos e terroristas muito bem treinados, organizados e comandados pelo centro especial. Alguns deles falavam línguas não-cazaques. Houve pelo menos seis vagas de ataques de terroristas em Almaty, 20 mil no total», escreveu o chefe de Estado no Twitter.

«A análise da situação mostrou que o Cazaquistão está a enfrentar uma agressão armada, bem preparada e coordenada por grupos terroristas treinados a partir do estrangeiro», frisou.

Tokayev disse que a operação antiterrorista se mantinha e revelou que foi criado um grupo espacial para investigar «as causas profundas» da situação e «levar perante a Justiça» os que violaram a lei, tendo destacado que «espancaram e mataram polícias e jovens soldados, incendiaram edifícios administrativos, saquearam espaços privados e lojas, mataram cidadãos laicos, violaram mulheres jovens», refere a RT.

O Ministério do Interior referiu que os fortes protestos e distúrbios, no início aparentemente espoletados pela subida do preço do gás liquefeito, se saldaram com 18 mortos entre as forças de segurança, dois dos quais decapitados, e 26 «criminosos abatidos».

A mesma fonte, referida pela TASS, indica que foram detidas mais de 4400 pessoas. Por seu lado, a RT refere que, só entre os detidos numa localidade da província de Almaty, havia mais de cem cidadãos de um país vizinho.

Uma estimativa provisória aponta para mais de 200 milhões de dólares de prejuízos causados pela violência, a destruição e os saques que se fizeram sentir no país, sobretudo, a partir de dia 4, embora os protestos tenham começado no dia 2.

Situação não inteiramente estabilizada

A Aeroflot cancelou os voos hoje previstos entre Moscovo e Almaty, Shymkent e Nur-Sultan, noticia a TASS. Além disso, as autoridades russas decidiram recorrer à Força Aérea para retirar de Almaty um grupo de cidadãos russos.

Entretanto, no passado dia 5, tendo em conta a rápida deterioração da situação e aquilo que classificou como a «ameaça terrorista» ao país, o presidente cazaque pediu ajuda aos parceiros da Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC).

O primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan, que preside à OTSC em 2022, informou que a decisão de enviar um contingente de paz para o Cazaquistão foi tomada na sequência do pedido realizado pelo chefe de Estado cazaque e «tendo em conta a ameaça à segurança nacional e à soberania da República do Cazaquistão, provocada em particular pela interferência externa».

De acordo com secretariado da OTSC, as forças de paz deverão permanecer no país centro-asiático «por um período de tempo limitado». O secretário-geral da OTSC, Stanislav Zas, disse à RIA Novosti que o prazo «dependerá da situação no Cazaquistão e do posicionamento das suas autoridades».

Acrescentou que, se o Cazaquistão «considera que a situação está estabilizada e que a controla com as suas próprias forças, sem a ajuda de todos os estados [da OTSC], a missão estará completa e todas as tropas serão retiradas».

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