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Putin denuncia a participação estrangeira nas «revoltas» no Cazaquistão

O presidente russo disse esta segunda-feira que a ameaça ao Cazaquistão não foi provocada pelos protestos populares contra o preço dos combustíveis, mas por forças destrutivas internas e externas.

Edifício governamental incendiado em Almaty, a maior cidade do Cazaquistão, durante os protestos e distúrbios que tiveram lugar dia 5 de Janeiro de 2022 
Edifício governamental incendiado em Almaty, a maior cidade do Cazaquistão, durante os protestos e distúrbios que tiveram lugar dia 5 de Janeiro de 2022 Créditos / Anadolu / RT

Ao intervir na cimeira extraordinária virtual dos países-membros da Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC), Vladimir Putin disse que quem veio para as ruas protestar contra os preços do gás tinha objectivos diferentes de quem pegou em armas e atacou o governo cazaque, indica a TASS.

Putin considerou «graves e preocupantes» os distúrbios dos últimos dias no país vizinho da Ásia Central, na medida em que afectam todas os países da OTSC (Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia e Tajiquistão), constituindo um «desafio sem precedentes para a segurança, a integridade e a soberania do Cazaquistão».

«Foram empregues activamente elementos de forte apoio informativo aos protestos, semelhantes às tecnologias de Maidan», disse Vladimir Putin, em alusão ao golpe de 2014 na Ucrânia, com apoio de Washington e da União Europeia.

«Percebemos que os acontecimentos no Cazaquistão não marcam nem a primeira nem a última tentativa de interferência estrangeira nos assuntos internos dos nossos países» afirmou o chefe de Estado russo, citado pela TASS, sublinhando que «as medidas que a OTSC tomou deixaram claro que não permitiríamos que ninguém desestabilizasse a situação na nossa região ou implementasse os chamados cenários das revoluções coloridas».

Putin disse ainda que os desenvolvimentos recentes mostraram que «certas forças estão à vontade no uso do ciberespaço e das redes sociais para recrutar extremistas e terroristas, bem como para criar células militantes adormecidas».

Cazaquistão enfrentou «uma tentativa de golpe de Estado»

Por seu lado, o presidente cazaque, Kassym-Jomart Tokayev, disse esta segunda-feira que o seu país viveu «tentativa de golpe de Estado» e que «todas as hostilidades foram coordenadas a partir de um centro», refere a RT.

De acordo com Tokayev, os preparativos para os violentos distúrbios dos últimos dias tiveram lugar num período de tempo prolongado. «Sob o manto dos protestos espontâneos, desenvolveu-se uma onda de distúrbios massivos», disse, acrescentando que, como se respondessem a uma só ordem, «apareceram radicais religiosos, criminosos, bandidos, saqueadores e pequenos agitadores».

As reivindicações socioeconómicas e políticas apresentadas no início dos protestos «foram ouvidas e atendidas» pelas autoridades, mas foram «relegadas para um segundo ou terceiro plano e esquecidas», afirmou o chefe de Estado cazaque. Seguiu-se a «fase quente», em que participaram os grupos armados que esperavam por esse momento.

Kassym-Jomart Tokayev agradeceu ainda a ajuda prestada ao país centro-asiático pelos parceiros da OTSC, destacando que foi graças às suas forças que foi possível «normalizar» a situação na cidade de Almaty.

Tajiquistão alerta para presença de extremistas na fronteira sul da OTSC

Ao intervir na cimeira extraordinária da OTSC para discutir o Cazaquistão, o presidente tajique, Emomali Rahmon, disse que os serviços secretos do seu país informaram que mais de 6000 «militantes» se encontram no Nordeste do Afeganistão, perto das fronteiras dos países-membros da organização.

Rahmon, que deu conta da existência de mais de 40 acampamentos e centros de treino nessa região do território afegão, denunciou que a situação na fronteira tajique-afegã é cada vez mais difícil, com combates entre os talibãs. Neste sentido, sugeriu a criação de uma «faixa de segurança em redor do Afeganistão», revela a TASS.

Por seu lado, o chefe do executivo do Qirguistão, Akylbek Japarov, alertou para a possibilidade de que os elementos destrutivos que participaram nos distúrbios no Cazaquistão entrem noutros países da região.

Disse ter informações de que grande quantidade de armamento caiu nas mãos de grupos criminosos, «que podem tentar criar uma atmosfera de caos».

O primeiro-ministro quirguize também admitiu a possibilidade de que compatriotas seus tenham participado na violência dos últimos dias no país vizinho. Entre os detidos de nacionalidade estrangeira, Kassym-Jomart Tokayev confirmou que havia elementos afegãos e do Médio Oriente.

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