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Ofensiva saudita contra hospital e porto de Hudaydah provoca dezenas de vítimas

Yusuf al-Hazari, do Ministério da Saúde iemenita, classificou como «massacre» os ataques sauditas ao Hospital al-Thawra e ao porto de pesca, em Hudaydah. Dezenas de pessoas perderam a vida.

Raides aéreos sauditas contra o Hospital al-Thawra e o porto de pesca, na cidade costeira de Hudaydah, provocaram dezenas de mortos e mais de 130 feridos
Raides aéreos sauditas contra o Hospital al-Thawra e o porto de pesca, na cidade costeira de Hudaydah, provocaram dezenas de mortos e mais de 130 feridosCréditos / middleeasteye.net

Num comunicado emitido ontem ao final do dia, o Ministério revelou que os bombardeamentos, quase simultâneos, do hospital e do porto de pesca, cheio de gente, tinham provocado pelo menos 55 mortos e cerca de 130 feridos, alguns dos quais em estado crítico, segundo revelou a TV al-Masirah.

De acordo com este canal iemenita em língua árabe, a que a PressTV faz referência, espera-se que o número de vítimas mortais aumente, sobretudo no hospital, devido à dimensão dos ataques perpetrados esta quinta-feira pela coligação liderada pelos sauditas.

Esta manhã, a agência chinesa Xinhua já referia a existência de 70 vítimas mortais.

Os bombardeamentos ocorreram num dia em que se previa que uma das sessões do Conselho de Segurança das Nações Unidas fosse dedicada à situação no Iémen, agravada recentemente pela ofensiva que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos lançaram, a 13 de Junho, contra a cidade costeira de Hudaydah.

No domingo passado, dia 29, a coordenadora humanitária das Nações Unidas para o Iémen, Lise Grande, alertou para a situação de «risco extremo» que os civis vivem com os ataques aéreos da coligação saudita a Hudaydah e arredores.

Agressão ao Iémen desde Março de 2015

Liderada pela Arábia Saudita, uma coligação que inclui o Sudão, Marrocos e os Emirados Árabes Unidos, entre outros países, lançou uma intensa campanha de bombardeamentos contra o mais pobre dos países árabes em Março de 2015, declarando serem seus objectivos esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

Como a coligação não concretizou os propósitos a que dizia almejar, a guerra de agressão ao Iémen, que contou com forte apoio das potências ocidentais – sobretudo dos EUA e do Reino Unido –, foi-se arrastando, passando a incluir também um bloqueio naval e a presença de tropas no terreno.

De acordo com dados da resistência Huti e das Nações Unidas, a intensa campanha militar provocou milhares de mortos e feridos entre a população civil, foi responsável pela destruição de uma parte substancial das infra-estruturas do país árabe e está na origem de uma situação humanitária que as Nações Unidas classificaram como «catastrófica».

Mais de 22 milhões de iemenitas necessitam de ajuda alimentar, sendo que 8,4 milhões são «severamente afectados pela fome».

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