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Ansarullah encara com bons olhos apelo da ONU para um cessar-fogo global

O apelo do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para um cessar-fogo em todos os conflitos, no contexto de luta contra a pandemia, é visto positivamente pelo movimento iemenita Huti Ansarullah.

Crianças numa escola destruída em Ta'izz (foto de arquivo)
Crianças numa escola destruída em Ta'izz (foto de arquivo)Créditos / trtworld.com

Mohammed Ali al-Houthi, presidente do Supremo Conselho Revolucionário do Iémen, afirmou esta segunda-feira, no Twitter, que Sanaa aceita a proposta lançada por Guterres e apoia a paragem dos ataques de EUA, Reino Unido, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e seus aliados contra o mais pobre dos países árabes.

Al-Houthi disse ainda que o movimento Ansarullah também quer o fim do bloqueio aéreo e marítimo imposto ao Iémen pelos sauditas e aliados da coligação que lideram desde 2015, de modo a facilitar a adopção de medidas preventivas contra o surto de coronavírus, revela a agência Tasnim News.

Os EUA e o Reino Unido não integram a coligação que em Março de 2015 lançou uma brutal ofensiva contra o Iémen, mas – tal como outras potências ocidentais – têm prestado apoio diverso a essa coligação.

Esta segunda-feira, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, António Guterres apelou a «um cessar-fogo global imediato em todos os cantos do mundo», alegando que é tempo de «nos centrarmos na verdadeira luta das nossas vidas» e «pôr de lado a desconfiança e as animosidades».

Embora não haja infecções de Covid-19 registadas no Iémen, na semana passada Al-Houthi avisou que os «agessores da coligação saudita» serão responsáveis por uma eventual propagação do vírus no país.

As afirmações de Al-Houthi foram feitas quando o Iémen se prepara para assinalar, no dia 26 de Março, o quinto aniversário da violenta campanha militar contra o povo iemenita lançada pela Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e uma coligação de países árabes, numa tentativa de suprimir a resistência do movimento Ansarullah e de recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

A guerra de agressão, apoiada pelo Ocidente, provocou grande destruição em zonas residenciais e arrasou quase inteiramente as infra-estruturas civis do país, incluindo hospitais, escolas, fábricas, sistemas de captação de água e centrais eléctricas, mergulhando-o naquilo que as Nações Unidas classificam como uma das piores crises humanitárias de sempre.

Em Fevereiro último, a Unicef voltou a lembrar que «o Iémen é um inferno para as crianças», na medida em que estas são particularmente afectadas pela fome e por doenças como cólera, difteria, sarampo e dengue. De acordo com as Nações Unidas, uma criança morre a cada dez minutos no Iémen, país onde, como consequência da agressão militar, cerca de 22 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária.

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