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«O povo chinês não vai tolerar a provocação», afirma Wang Yi

De visita ao Tajiquistão, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros afirmou que «alguns, nos EUA, desafiam constantemente a soberania chinesa na questão de Taiwan e minam a política de uma só China».

Nancy Pelosi e outros funcionários acenam a jornalistas no Parlamento em Taipé, em Taiwan, China, a 3 de Agosto de 2022 
Nancy Pelosi e outros funcionários acenam a jornalistas no Parlamento em Taipé, em Taiwan, China, a 3 de Agosto de 2022 Créditos / PressTV

Na capital tajique, Dushanbe, Wang Yi declarou à imprensa a condenação que o seu ministério patenteou, em comunicado, perante a visita a Taiwan da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, e afirmou que «o povo chinês não vai tolerar a provocação».

Wang, que visitou vários países da Ásia Central depois de participar, em Tashkent, no Conselho dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da Organização para a Cooperação de Xangai, considerou «vergonhoso que os Estados Unidos quebrem a sua promessa na questão de Taiwan», algo que, em seu entender, «apenas irá conduzir à falência da credibilidade» norte-americana.

«Alguns políticos norte-americanos apenas se preocupam com os seus interesses, brincam descaradamente com o fogo, tornam-se inimigos de 1,4 mil milhões de chineses e acabarão seguramente por não ter um bom fim», avisou, citado pela Xinhua.

Para Wang, as «acções de intimidação de Washington foram expostas ao mundo e fizeram com que pessoas de todos os países vissem mais claramente que os EUA são actualmente o maior destruidor da paz».

Impacto severo nos fundamentos das relações bilaterais China-EUA

Em comunicado, o Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros condenou de forma veemente a chegada a Taiwan de Nancy Pelosi, terceira figura da administração dos EUA, sublinhando que esta acção constitui uma violação séria do princípio de «uma só China» e dos três comunicados conjuntos China-EUA emitidos a esse respeito.

«Taiwan é parte inalienável do território da China» e o mundo reconhece-o dessa forma desde 1971, por via da resolução 2758 da Assembleia Geral das Nações Unidas, afirma o documento, lembrando que 181 países têm relações diplomáticas com Pequim, tendo como base o respeito do princípio de «uma só China».

Washington também o fez, ao estabelecer laços com a China em 1979, e, também por isso, a visita de Pelosi a Taiwan é «uma grande provocação política», na medida em que pode implicar a elevação do nível de trocas com Taiwan, e isso é algo que nem a China nem o seu povo poderão tolerar.

O comunicado, divulgado pela agência Xinhua, sublinha que esta questão é a mais importante e sensível das relações bilaterais, e, agora, o Estreito de Taiwan enfrenta uma nova ronda de tensões, tendo em conta as tentativas repetidas por parte das autoridades de Taiwan e de Washington para alterar o status quo.

«Nenhum país, nenhuma força e nenhum indivíduo deve subestimar a firme determinação, forte vontade e grande capacidade do governo chinês e do seu povo para defender a soberania estatal e a integridade territorial, e alcançar a reunificação nacional», declara o texto.

Os Estados Unidos devem deixar de jogar a «cartada de Taiwan» para conter o país asiático, afirmam as autoridades chinesas, destacando que os EUA não têm o direito de interferir nos seus assuntos internos e que se reserva o direito de responder como bem entender.

Tentativas de distanciamento político e mediático

Concretizada a ida a Taiwan por Nancy Pelosi – segundo alguns analistas, para daí tirar dividendos eleitorais internos –, a administração norte-americana tentou distanciar-se da acção.

Antony Blinken, titular do Departamento de Estado, afirmou, a propósito, que a presidente da Câmara Baixa toma as suas próprias decisões e que tem liberdade para fazer o que entender, pelo que, a haver uma escalada, a responsabilidade seria de Pequim.

Também alguns jornais e canais de TV – que não necessitam de publicidade – vieram a terreiro dizer que a visita, irresponsável, não traria nada de bom.

Sobre as tentativas de distanciamento, o Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros lembrou que Pelosi é a terceira funcionária na administração norte-americana e, dessa forma, a sua visita a Taiwan num avião militar dos EUA possui um carácter oficial.

A China já deixou claro que vai responder. Muitas vozes falam no perigo de uma escalada militar a nível mundial. O Global Times, num editorial ontem publicado, afirma que a resposta chinesa não será pontual, mas a combinação de acções a longo prazo, «resolutas e de avanço constante».

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