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O olhar fotográfico de Che mostra-se em Cuba

A exposição «Che Fotógrafo, um artista chamado Ernesto Guevara» foi inaugurada em Santa Clara, cidade que ajudou a libertar da tirania e onde hoje se encontram os restos mortais do Guerrilheiro Heróico.

Che Guevara com a máquina fotográfica no dia 2 de Janeiro de 1964, na Praça da Revolução, Havana
Che Guevara com a máquina fotográfica no dia 2 de Janeiro de 1964, na Praça da Revolução, Havana CréditosLiborio Noval / uneac.org.cu

A mostra, que se exibe pela primeira vez em Cuba, incide no olhar prescrutador de Che Guevara por trás da lente fotográfica. São, no total, 277 imagens a preto e branco, nas quais o artista capta momentos do seu percurso pela América Latina e por outros países do mundo, da fase da guerrilha em Cuba e também do período subsequente ao triunfo da Revolução.

Aleida Guevara, filha mais velha do comandante argentino-cubano, revelou à Prensa Latina que a exposição circula há vários anos pelo mundo, e que se decidiu que esta primeira apresentação em Cuba tivesse lugar em Santa Clara, cidade onde se encontra o memorial que guarda os seus restos mortais, juntamente com os de outros combatentes da gesta guerrilheira na Bolívia, em 1967.

Sobre o conteúdo da exposição, que se encontra patente ao público na Galeria Provincial de Arte de Villa Clara, Aleida destacou que, através da fotografia, o seu pai expressou os seus sentimentos e conseguiu percorrer plasticamente toda a sua vida, desde a juventude até à maturidade.

«As primeiras fotos que se mostram aqui são paisagens e situações da sua juventude, e as outras são instantâneos realizados em Cuba, que, a partir de 1959, reflectem um país em construção, após o derrube da tirania de Fulgencio Batista», referiu.

Há ainda fotos realizadas noutros países, «à frente de delegações, em que o Che compara o nosso processo revolucionário nesse momento com os que eram levados a cabo por esses países», disse Aleida.

«O Che Guevara foi sempre um grande observador e daí o seu interesse pela fotografia e os êxitos que alcançou» nela, frisou ainda a filha do dirigente revolucionário, ao referir-se à exposição, pertencente ao Centro de Estudos Che Guevara.

A inauguração, que decorreu no passado dia 8, contou com a presença do ministro da Cultura de Cuba, Alpidio Alonso.

A abertura da mostra integrou-se nas múltiplas actividades que a província de Villa Clara, no Centro de Cuba, promoveu como tributo ao Guerrilheiro Heróico – 53 anos após a sua captura e assassinato na selva da Bolívia. Nelas participaram estudantes e trabalhadores de unidades fabris fundadas em Santa Clara pelo Che em 1964, quando era ministro da Indústria.

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