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Numa cidade do Maranhão, população unida contra encerramento da agência bancária

O plano de reestruturação do Banco do Brasil prevê o fechamento de agências e despedimentos de milhares de trabalhadores. Em Governador Archer, a população uniu-se para manter o serviço público.

Em Governador Archer, no Maranhão, a população uniu-se ao sindicato dos bancários para defender a permanência da única agência do Banco do Brasil na cidade
Em Governador Archer, no Maranhão, a população uniu-se ao sindicato dos bancários para defender a permanência da única agência do Banco do Brasil na cidade CréditosGibran Santos / SEEB-MA

O encerramento de mais de 360 agências, postos de atendimento e escritórios no país, bem como o despedimento de 5000 funcionários, foram medidas anunciadas em Janeiro pela administração do Banco do Brasil, no âmbito do seu plano de reestruturação, e que, se forem concretizadas, vão ter um forte impacto nos municípios e na vida das populações.

«Essas medidas vão enfraquecer ainda mais a actuação do Banco do Brasil, especialmente nas pequenas cidades, onde são mais necessárias as acções sociais, de fomento ao desenvolvimento e combate às desigualdades», disse ao Brasil de Fato o presidente do Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), Eloy Natan.

O município de Governador Archer, localizado a 310 quilómetros da capital do estado do Maranhão, São Luís, é um exemplo dos elevados prejuízos que podem ser causados à população se forem encerradas as agências das pequenas cidades brasileiras.

Valorizando a importância da única agência do banco público na cidade, a população uniu-se ao sindicato em defesa da sua manutenção, que, de acordo com os planos da administração, nem sequer vai receber um posto de atendimento. Se a agência fechar, para ter acesso aos serviços bancários, as pessoas terão de se descolar até ao município mais próximo, fazendo quase 40 quilómetros, revela o portal brasileiro.

Por isto e reconhecendo outros impactos negativos, os habitantes de Governador Archer «abraçaram a causa», tendo recolhido mais de 1600 assinaturas, que entregaram ao sindicato. Saldanha Maria Monteiro, moradora, pequena comerciante e cliente do banco há mais de 22 anos, afirmou que «alguns comerciantes irão fechar, porque não haverá circulação de dinheiro na cidade», e destacou os «prejuízos» que serão causados a «pessoas idosas e deficientes», que terão de ir até outras cidades para fazer um levantamento.

Para trabalhar em conjunto com a população, o sindicato e demais entidades, foi também criada a Frente Parlamentar contra o Fechamento das Agências Bancárias no Maranhão, por iniciativa do deputado estadual Marco Aurélio (Partido Comunista do Brasil), com o apoio de outros 23 deputados do estado.

Marco Aurélio explica que, com a falta de acesso às ferramentas digitais, além de prejudicar a população, o deslocamento a outros municípios vai ter um impacto directo na economia da região, uma vez que, «quando a pessoa vai fazer uma actividade de movimentação financeira noutra cidade, automaticamente ela tende a consumir lá».

Na Paraíba, Comité em Defesa dos Serviços Públicos e contra as Privatizações

Vários sindicatos do estado da Paraíba (Correios, Bancários, Trabalhadores de Processamento de Dados, Sindiágua, CUT-PB) uniram-se para fazer esta quarta-feira, num plenário virtual, o lançamento do Comité em Defesa do Serviços Públicos e contra as Privatizações.

No texto divulgado no portal do Sindicato dos Correios, os promotores da iniciativa afirmam: «Estamos empenhados em construir iniciativas de resistência em várias frentes, começando pelo Lançamento do Comitê em Defesa dos Serviços Públicos e contra as Privatizações nesta quarta-feira. É necessária uma campanha permanente de pressão aos parlamentares, com articulações de Frentes Parlamentares.»

As organizações deste estado do Nordeste do Brasil destacam que, à sanha privatizadora do ministro Paulo Guedes e aos seus «ataques» às empresas do Estado, se veio juntar o Projecto de Lei agora apresentado, da autoria do deputado Kim Kataguiri, que altera a Lei 9.491 de 1997, relativa ao Programa Nacional de Desestatização, que permite a privatização de diversas empresas públicas sem necessidade de autorização legislativa específica, e «quer aumentar o rol das empresas com prioridade para a privatização».

«É necessário que estejamos preparados e mobilizados contra a política de privatização das estatais e pela garantia dos direitos dos trabalhadores», afirmam os sindicatos, que encaram as empresas públicas como «património da nação brasileira» e com um «papel estratégico em qualquer projecto de desenvolvimento soberano» para o país.

Por isso, alertam, a «privatização de estatais, pautada pelo governo Bolsonaro, é um atentado à soberania nacional e muitos prejuízos trará ao povo brasileiro».

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