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Netanyahu promete anexar parte da Cisjordânia

A poucos dias de eleições parlamentares em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deixou a promessa de vir a concretizar formalmente a anexação dos vários colonatos dentro da Cisjordânia.

Benjamin Netanyahu apelou aos seus parceiros de coligação para darem continuidade ao governo, evitando a realização de eleições antecipadas. Isarel, Novembro de 2018.
Benjamin Netanyahu apelou aos seus parceiros de coligação para darem continuidade ao governo, evitando a realização de eleições antecipadas. Isarel, Novembro de 2018. CréditosFonte: Bristol Herald Courrier

A campanha eleitoral em Israel continua marcada pelo signo da direita e da extrema-direita, com os candidatos a desdobrarem-se em declarações ameaçadoras contra os palestinianos na Cisjordânia e em Gaza mas também contra países do Médio-Oriente que estão na sua mira, como o Irão ou a Síria.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem gozado de uma vantagem sobre os seus opositores, nomeadamente a possibilidade de executar a política de direita que outros prometem. Tem sido assim com os ataques incessantes na faixa de Gaza e a repressão sanguinária dos manifestantes que desde há um ano se manifestam pelo retorno às suas casas ocupadas pelo invasor. Tem sido assim com a instituição das vergonhosas leis do apartheid sionista, obrigando o mundo a lidar com um malefício que se julgava extinto definitivamente desde a libertação de Nelson Mandela e o fim do regime racista na África do Sul. Tem sido assim com o edifício legislativo repressivo que afecta tanto cidadãos judeus como árabes e organizações pacifistas trabalhando em Israel. Tem sido assim com a anexação do Leste de Jerusalém que, à luz do direito internacional estabelecido pelo tribunal Internacional de Justiça e pelas resoluções das das Nações Unidas (ONU), é reconhecida como capital do Estado da Palestina. Tem sido assim com a anexação unilateral dos Montes Golã, que militarmente já ocupavam, contra todas as resoluções da ONU, e os ataques aéreos à vizinha Síria.

Infelizmente para Netanyahu, o atrito provocado pela resistência palestiniana às medidas do governo do Estado de Israel e a falta de sucessos «definitivos» do regime sionista, como exige a extrema-direita local, obriga-o a acrescentar promessas de mais agressividade sionista, nas vésperas das eleições do Knesset (parlamento do Estado de Israel) que decorrem no dia 9 de Abril (terça-feira).

Da ocupação à anexação

No passado dia 6 de Abril, em entrevista dada em horário nobre ao Channel 12 (Keshet 12, em hebraico), o actual primeiro-ministro de Israel prometeu, caso seja eleito, «passar para uma nova fase» em que continuará a «estender a soberania de Israel», expressão usada pelo Estado sionista para anexar territórios que não lhe pertencem mas se encontram sob sua ocupação militar.

A «nova fase» a que se refere Netanyahu será, segundo a RT News – que traduziu partes da entrevista – a «anexação formal» de «colonatos judaicos» ilegalmente «estabelecidos na Cisjordânia ocupada». Explicitando a sua ideia, afirmou que «cada colonato é israelita» e, por isso, não deixará colonatos «entregues à soberania palestiniana» e que «assegurar-se-ia do controlo [por Israel] do território a Oeste do rio Jordão [Cisjordânia]».

Sobre a solução «dois estados», preferida pela maior parte da comunidade internacional como solução para os conflitos na Palestina, afirmou estar contra e que a existência de um Estado da Palestina «ameaçaria a nossa existência». Note-se que desde 2012 a ONU prescreve que os documentos por si produzidos sobre a região se refiram ao «Estado da Palestina», o qual foi aceite pela organização como estado-observador em 2011 – Netanyahu desrespeita, uma vez mais, as decisões daquela instituição.

Netanyahu pronunciou-se também sobre Jerusalém, para afirmar que «não dividiria» a cidade que ocupa ilegalmente e que, contra a opinião da esmagadora maioria da comunidade internacional, pretende transformar na capital do Estado de Israel, anexando formalmente o que, até agora, ocupa do ponto militarmente.

Antecedentes

Estima-se que, actualmente, mais de 600 mil israelitas vivam em terras ocupadas desde a guerra de 1969, em cerca de dois terços na Cisjordânia.

No último mês, o presidente norte-americano Donald Trump reconheceu a soberania israelita sobre os Montes Golã, também ocupados por Israel desde 1967, apesar da esmagadora maioria da comunidade internacional reconhecer a soberania à Síria.

Recorde-se ainda que, previamente, os EUA também deram início ao processo de reconhecimento de Jerusalém como capital oficial de Israel, uma decisão que foi amplamente condenada internacionalmente.

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