NATO pede à Alemanha para aumentar a despesa militar

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, solicitou à Alemanha que aumente a despesa militar, numa altura em que Washington pressiona Berlim para assumir um papel financeiro de maior relevo no seio da Aliança Atlântica.

Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO
Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATOCréditos / politico.eu

«Para mim, é decisivo que os EUA e a Alemanha concordem que temos de investir mais na nossa segurança», disse Stoltenberg, esta terça-feira, ao diário económico alemão Handelsblatt.

De acordo com as declarações, recolhidas pela PressTV, o líder da Aliança Atlântica sublinhou que o reforço dos orçamentos militares «não tem a ver com satisfazer os EUA. Tem a ver com a segurança europeia», pois «a Europa está muito mais perto das crises e ameaças do que os EUA; mais perto da Rússia, mais perto da Síria e do Iraque».

Em 2014, os chefes de Estado da NATO concordaram em aumentar os seus gastos na defesa para 2% do PIB, no espaço de uma década. Actualmente, só cinco países – Estónia, EUA, Grécia, Polónia e Reino Unido – atingem essa meta, enquanto a Alemanha gasta 1,2% do PIB.

Stoltenberg considerou uma boa notícia o aumento de mais de 8% no orçamento das Forças Armadas alemãs em 2017, bem como o anúncio de que Berlim pretende ainda destinar mais verbas às despesas militares. Ainda assim, disse: «Não esperamos que a Alemanha chegue lá em um ou dois anos».

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem acusado os países-membros da NATO, sobretudo a Alemanha, de se aproveitarem da «protecção americana», e instou os seus aliados militares a aumentarem a despesa até aos 2% da sua produção económica até o final do ano. Chegou mesmo a afirmar que a Alemanha deve aos EUA e à NATO «vastas quantias de dinheiro» pelas décadas de protecção norte-americana, informa a PressTV.

No final de Fevereiro, o presidente norte-americano propôs um aumento de 54 mil milhões de dólares em despesas militares; este orçamento teria como base cortes nas despesas do Departamento de Estado e outras não vinculadas à Defesa, segundo divulgaram, na altura, funcionários da Casa Branca e do Pentágono.