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Mortalidade infantil aumenta desde o golpe

Depois de 26 anos em queda contínua, a taxa de mortalidade infantil no Brasil voltou a subir em 2016. Os cortes aplicados na Saúde pelo governo golpista de Temer suportam o retrocesso. 

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Créditos / DW

A notícia é avançada pelo Brasil de Fato a partir de uma entrevista de Alexandre Padilha, antigo ministro das Relações Institucionais no governo de Lula da Silva e da Saúde, no governo de Dilma Rousseff, «período em que o Brasil se destacou como um dos países que mais reduziu a mortalidade infantil».

O online adianta que em 2016, ano do golpe, registaram-se 14 óbitos para cada mil nados-vivos, «um aumento de 5% em relação ao ano anterior». Até então, o país registrava uma redução anual média de 4,9% desde o início dos anos 1990.

«É realmente muito triste ver acontecer isso no Brasil depois de 26 anos de redução. Quando eu era ministro da Saúde, lembro como se fosse hoje, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) entrou em contacto com o Ministério para parabenizar o facto de o Brasil ter alcançado, em 2012, três anos antes do que a ONU esperava, os Objectivos do Milénio de redução da mortalidade infantil», realça Padilha.

Para o ex-governante, o fenómeno «é apenas a ponta de um grande iceberg de destruição» do Sistema Único de Saúde (serviço nacional de saúde do Brasil), bem como «das equipas da Saúde da Família, do Mais Médicos e também da rede de protecção social que cuida de nossas crianças».

Em resumo, assume Alexandre Padilha, o aumento verificado desde 2016 «mostra claramente os efeitos directos do golpe», realçando que a mortalidade  infantil é um indicador «extremamente  afectado» pelos cuidados de saúde primários.

20 000

O anterior ministro alerta para as conclusões de um estudo, segundo o qual 20 mil crianças poderão vir a morrer em resultado das políticas de austeridade conduzidas por Temer.

Denuncia que, «depois de tanto tempo», o Brasil sofreu um aumento da mortalidade infantil, até aos cinco anos de idade, «sobretudo por doenças diarreicas, o que só reforça a tese de uma relação directa entre a destruição das equipas de Atenção Básica de Saúde e a degradação da situação económica das famílias».

Questionado sobre o eventual impacto de doenças, como a provocada pelo vírus Zika, Padilha defende que essa é uma «desculpa esfarrapada». Afirma que a taxa de mortalidade infantil aumentou em regiões onde não houve um «número importante de [casos de] Zika», insistindo que a taxa de mortalidade na infância tem «dois grandes motivos»: a interrupção de programas de Saúde e a «forte redução» de profissionais no programa «Mais Médicos».

«Uma sequência de medidas na área da Saúde, regulada por outros indicadores, como a redução da cobertura vacinal. Reduziu a cobertura no Brasil, mas não reduziu no resto do mundo», denuncia.

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