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Lula da Silva é julgado esta quarta-feira

Um mar de gente em Porto Alegre em defesa da democracia

Cerca de 50 mil pessoas juntaram-se, esta terça-feira, na cidade brasileira de Porto Alegre, num acto em defesa da democracia e pelo direito do ex-presidente Lula da Silva a concorrer às eleições presidenciais de 2018. Lula disse que continuará a lutar pela dignidade dos brasileiros.

Cerca de 50 mil pessoas juntaram-se esta terça-feira na Esquina Democrática, em Porto Alegre, em defesa da democracia no Brasil e do direito de Lula a ser candidato
Cerca de 50 mil pessoas juntaram-se esta terça-feira na Esquina Democrática, em Porto Alegre, em defesa da democracia no Brasil e do direito de Lula a ser candidatoCréditos / Mídia Ninja

A grande concentração de ontem na Esquina Democrática, em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), integra-se nas várias mobilizações que a Frente Brasil Popular (FBP) tem estado a dinamizar em defesa da democracia e do ex-presidente brasileiro, sob o lema «Eleição sem Lula é fraude!».

Apesar dos alertas lançados nos últimos dias por alguns meios de comunicação social e autoridades locais, sugerindo que a cidade gaúcha iria ser pasto da violência, em virtude da mobilização de «milhares de militantes sociais de esquerda», o acto decorreu de forma pacífica, segundo informa o Portal Vermelho.

Lula, disposto a lutar

Lula da Silva é julgado hoje, em segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, com sede em Porto Alegre, depois de ter sido condenado, em Julho último, pelo juiz Sérgio Moro, no âmbito da operação Lava Jato, pela alegada prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Na sua intervenção na Esquina Democrática, o ex-presidente brasileiro fez questão de agradecer a solidariedade dos presentes, do povo, e afirmou ter «uma equipa de advogados competentes, que já provaram a sua inocência». Relativamente ao processo, disse ainda esperar que os juízes se atenham às questões judiciais e ponham de lado «convicções políticas».

Lula enumerou alguns dos avanços sociais que o Brasil conheceu durante o período em que governou e teceu críticas ao rumo socioeconómico que o país sul-americano está a seguir sob a batuta do governo golpista de Michel Temer. Disse ainda estar disposto a continuar «a lutar para garantir o respeito e a dignidade de todos os brasileiros», indica a Prensa Latina.

Dilma sublinhou a continuidade do golpe

O acto político contou com ampla participação de representantes de partidos políticos de esquerda, de organizações sindicais e sociais – como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) –, e nela estiveram presentes personalidades como o escritor Raduan Nassar e o jurista Eugênio Aragão.

Ao intervir, Dilma Rousseff, a presidente do Brasil destituída do cargo em 2016, recordou o golpe de Estado de que foi alvo, «com o apoio dos media e das corporações judiciais e também de grande parte do mercado», sublinhando que a sua destituição, não fundamentada, foi o «primeiro acto» de um processo.

A segunda fase desse processo «estamos ainda a vivê-la, com um governo sem legitimidade, sem voto, que executa uma política de perda de direitos sociais, de reforma trabalhista que cria maior precariedade no trabalho, que vai reduzir os salários da população brasileira e a tentativa sistemática de vender nosso património, as nossas riquezas, de entregá-las às empresas estrangeiras», disse, citada pelo Portal Vermelho.

O terceiro acto do golpe, explicou, consiste em impedir que Lula seja candidato às presidenciais. «Eu afirmo aqui: ele é inocente das acusações. Enquanto os culpados, que andam com malas para cima e para baixo, circulam livremente, o presidente está sendo julgado sem nenhum fundamento», enfatizou Rousseff.

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