Estudantes e professores fizeram greve no passado dia 7 e mobilizaram-se em mais de 60 localidades em protesto contra as reformas educativas propostas pelo governo de Meloni, que visam subordinar o sector da educação aos interesses da indústria e à militarização.
As medidas incluem o alinhamento dos cursos técnicos e profissionais às necessidades do patronato e a remoção de conteúdos essenciais dos currículos, mantendo milhares de profissionais de educação em situação precária.
A Unione Sindacale di Base (USB), que classificou a jornada de luta como um êxito e uma demonstração de que o sector não baixa os braços contra a «destruição pública» e a guerra, sublinhou ainda, no seu portal, que estas mobilizações pretenderam condenar um «modelo de escola reaccionário e conservador», com orientações que «exaltam o espírito nacional e a lógica do mercado».
Ante da jornada de luta, que envolveu a organização juvenil comunista Cambiare Rotta e a organização estudantil OSA, a USB destacou que se tratava de vincar a oposição à «militarização das escolas e da sociedade», de denunciar a entrega do ensino técnico e vocacional às corporações, e de dizer «não» a contratos com «salários de vergonha, enquanto a inflação sobe, impulsionada pelos custos de guerras que não queríamos nem queremos».
Além das reformas no ensino técnico, a USB denunciou os planos de alteração de conteúdos nas escolas secundárias, que, entre outros aspectos, visam minimizar as críticas ao colonialismo europeu e ao imperialismo, «fomentando um sentido de identidade que é explicitamente eurocêntrico e nacionalista».
«É um sistema escolar que segrega, cria hierarquias e treina os filhos das famílias da classe trabalhadora para trabalhos precários, ao mesmo tempo que prepara os filhos da elite para uma "missão civilizadora" que serve a retórica da guerra», criticou a central sindical.
Unidade entre estudantes e docentes
Um dos aspectos vincados na jornada de luta foi a importância da unidade entre todos os membros do sector educativo. «USB Ensino e OSA afirmam a sua aliança como opção estratégica, não como gesto simbólico», declararam sindicato e organização estudantil em comunicado.
«A unidade entre trabalhadores da educação e estudantes é a força do nosso projecto, porque o ensino é atravessado pelas mesmas contradições que assolam toda a sociedade: exploração, precariedade, militarização e subordinação ao capital», sublinharam, aludindo ao subfinanciamento e à precariedade no sector, onde mais de 350 mil trabalhadores mantêm as escolas a funcionar sem perspectivas de estabilidade laboral.
Organizações estudantis e de esquerda aproveitaram ainda a ocasião para criticar a presença do secretário de Estado norte-americano no país europeu, tendo exigido a expulsão de Marco Rubio, que apelidaram de «criminoso internacional» pela sua «cumplicidade no genocídio em Gaza», pela sua «responsabilidade na guerra no Médio Oriente» e por ser «uma figura-chave na campanha contra Cuba».
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