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Lavrov: Ocidente é responsável pela deterioração da situação humanitária na Síria

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros pediu aos países ocidentais que reconheçam as suas responsabilidades na situação da Síria e rejeitem interpretações unilaterais sobre questões humanitárias.

Campo de refugiados de al-Hol, na província de Hasaka
A diplomacia russa acusa EUA e UE de ignorarem Damasco no que respeita à entrega de ajuda humanitária, bem como de dificultarem o regresso dos refugiados ao país Créditos / Unicef

Numa conferência de imprensa conjunta em Moscovo, esta segunda-feira, com a secretária-geral da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Helga Schmid, Sergei Lavrov destacou a necessidade de envolver o governo sírio no processo de entrega da ajuda.

Reafirmou que as autoridades sírias estão preparadas para tal, mas que, infelizmente, «os nossos parceiros» nas Nações Unidas e outros «foram até agora incapazes de se coordenar com o governo de Damasco de forma clara e legítima», notícia a SANA.

O ministro russo referiu que a situação na província de Idlib «é ainda difícil», com a organização terrorista Hayat Tahrir al-Sham a manter reféns bastantes civis, e com a ajuda humanitária a ser entregue sem o envolvimento do governo sírio, indica a TASS.

A situação humanitária no país árabe é ainda agravada pelas sanções impostas pelos EUA e pela ocupação ilegal a leste do Eufrates por parte das tropas norte-americanas, destacou o chefe da diplomacia russa.

«Estão a saquear os hidrocarbonetos e outros recursos minerais, e a usar o dinheiro que retiram daí para financiar projectos que são vistos por muitos como instigadores do separatismo e da dissolução do Estado sírio», disse, citado pela TASS.

Também chamou a atenção para o facto de alguns países europeus e os Estados Unidos estarem a procurar dificultar o regresso dos refugiados sírios ao país.

«Toda a ajuda que o Ocidente está a reunir – e está a fazê-lo sem a participação de Damasco, violando as normas das Nações Unidas – nunca é usada para ajudar os refugiados a regressar, para lhes garantir condições e serviços básicos, como Educação, energia e abastecimento de água. Vai para campos na Jordânia, na Turquia e no Líbano, e, obviamente, visa manter aí os refugiados o maior tempo possível», denunciou.

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