O governo de Cuba criticou fortemente a decisão do Equador de expulsar a missão diplomática da Ilha em Quito, dando ao pessoal da Embaixada um prazo de 48 horas para abandonar o país sul-americano, «sem apresentar qualquer justificação».
Num comunicado emitido esta quarta-feira, o Ministério cubano dos Negócios Estrangeiros classificou a medida como «arbitrária e injustificada», sublinhando que se trata de «um acto hostil e sem precedentes que prejudica significativamente as relações históricas de amizade e cooperação entre os dois países e povos».
O texto critica também o afastamento, por parte do actual executivo equatoriano, das «práticas diplomáticas e cortesias» reconhecidas internacionalmente.
A diplomacia cubana salientou ainda que os membros da missão diplomática em Quito actuaram dentro das normas internacionais e das leis equatorianas, cumprindo «rigorosamente as leis e os regulamentos do Equador, sem interferir nos assuntos internos desse Estado», em conformidade com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961.
Contexto marcado pelo reforço da agressão a Cuba
O documento também aponta o facto de a decisão ocorrer num momento de intensificação das pressões norte-americanas contra o país caribenho.
«Não parece um acaso que esta decisão tenha sido tomada num contexto caracterizado pelo reforço da agressão dos Estados Unidos contra Cuba e pela forte pressão do governo desse país sobre terceiros estados para que adiram a essa política, poucos dias antes da Cimeira de Miami», acrescentou o comunicado.
O texto alude a um encontro marcado para o próximo dia 7 em Miami (Florida, EUA) entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e representantes de alguns governos da região.
Apesar da decisão do executivo liderado por Daniel Noboa e da condenação veemente que a diplomacia cubana faz, o comunicado manifesta confiança quanto à preservação da relação de solidariedade entre os dois povos.
«Cuba está convencida de que o povo equatoriano saberá defender os laços de solidariedade e fraternidade com Cuba», lê-se no texto.
Solidariedade com Cuba no Equador
Várias pessoas concentraram-se esta quarta-feira nas imediações da Embaixada de Cuba em Quito para expressar a sua oposição à decisão do executivo de Noboa de declarar persona non grata o embaixador Basilio Gutiérrez e decretar a saída do pessoal diplomático do país em 48 horas.
Exibindo bandeiras de Cuba e cartazes em defesa da soberania, os participantes na mobilização afirmaram que esta decisão reflecte apenas o governo de Noboa e não o sentir do povo equatoriano, refere a Prensa Latina.
Em comunicado, o movimento Revolução Cidadã (RC) denunciou que o governo tomou esta decisão em sintonia com a política da Casa Branca.
Para a RC, a medida «evidencia um vergonhoso e subserviente alinhamento com a política promovida por Washington», uma posição que «não reflecte os interesses ou o sentir do povo equatoriano».
«É evidente que esta política de subserviência será saudada na reunião dos presidentes da direita fascista da região, marcada para 7 de Março, onde Daniel Noboa irá certamente procurar a aprovação de Trump», acrescentou a organização.
Em sentido semelhante pronunciaram-se a Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) e o Partido Comunista do Equador (PCE), para o qual «a amizade com o povo cubano não está sujeita a imposições imperiais ou caprichos».
Por seu lado, a Coordenadora pela Paz, a Soberania, a Integração e a Não Ingerência (CPAZ) afirmou que a medida é «um ataque à amizade histórica e à solidariedade que caracterizou as relações de fraternidade entre o Equador e Cuba».
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