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Índia: Trabalhadores das plantações reforçam luta contra políticas neoliberais

Num encontro realizado nos contrafortes dos Himalaias, em Darjeeling, os trabalhadores das plantações anunciaram uma mobilização em Nova Déli, no contexto da luta contra as políticas do governo.

Num sector de grande importância para a Índia, os trabalhadores são explorados ao máximo, denunciou a Federação dos Trabalhadores das Plantações de Toda a Índia (AIPWF) 
Num sector de grande importância para a Índia, os trabalhadores são explorados ao máximo, denunciou a Federação dos Trabalhadores das Plantações de Toda a Índia (AIPWF) Créditos / scroll.in

Na sua 10.ª conferência, recentemente concluída, a Federação dos Trabalhadores das Plantações de Toda a Índia (AIPWF, na sigla em inglês) apelou a uma luta mais forte contra as políticas neoliberais levadas a cabo pelo governo central.

Quando passam 50 anos sobre a sua fundação, precisamente em Darjeeling – uma região montanhosa de Bengala Ocidental famosa pelo seu chá –, a estrutura sindical exigiu, entre outras reivindicações, melhor segurança social, salários mínimos e cartões de saúde para os trabalhadores da indústria das plantações, refere o Newsclick.

Tapa Sen, secretário-geral do Centro dos Sindicatos Indianos (CITU, na sigla em inglês), afirmou no final da conferência que mais de quatro milhões de trabalhadores estão ligados ao sector das plantações, que inclui as plantações de chá, borracha e café do país sul-asiático.

Por toda a Índia, o governo e as grandes empresas estão a tentar apoderar-se das terras das plantações, uma tendência perigosa que tem de ser combatida e travada, alertou.

Em vez disso, o dirigente sindical defendeu que as autoridades devem melhorar as infra-estruturas e os serviços nas comunidades que vivem e trabalham nas zonas das plantações, nomeadamente escolas e outras instalações educativas, serviços de saúde e estradas em redor das áreas de plantação.

O direito dos habitantes e trabalhadores das plantações à terra e o seu direito a um salário mínimo foram igualmente abordados na intervenção de Tapa Sen.

Participantes na 10.ª Conferência da Federação dos Trabalhadores das Plantações de Toda a Índia, em Darjeeling / Newsclick

A 10.ª conferência da AIPWF, cuja abertura coube a K. Hemlata, presidente do CITU, contou com a participação de vários partidos e sindicatos da região montanhosa, nomeadamente o Hamro, o GNLF e o Chia Kaman Majdoor Union, entre outros, e trouxe a Darjeeling 143 delegados de outras regiões de Bengala Ocidental, de Kerala e Tamil Nadu, no extremo Sul do país, de Karnataka, Assam e Tripura.

Uma das decisões importantes tomadas no encontro foi a de agendar uma mobilização para dia 5 de Abril na capital do país, Nova Déli, envolvendo pequenos e médios agricultores e trabalhadores do campo na indústria das plantações.

Ao cabo de dois dias de trabalhos, CK Unnikrishnan foi eleito o presidente da Federação dos Trabalhadores das Plantações de Toda a Índia e Zia ul Alam tornou-se o seu secretário.

Exploração extrema e agravamento das condições de vida

Ao falar à imprensa, Zia ul Alam destacou a importância da indústria das plantações para o país, que envolve quatro milhões de pessoas directamente e outros dois milhões de forma indirecta.

No entanto, denunciou, o lucro do trabalho diário é retirado pelos proprietários, e os trabalhadores são explorados ao máximo.

Referindo-se às plantações de chá de Bengala Ocidental, disse que as condições de vida dos trabalhadores se agravam diariamente. «Isto é uma vergonha para o estado e para o país. Nas plantações de chá, faltam serviços básicos como água potável e cuidados de saúde», lamentou, acrescentando que o governo foi incapaz de impor os salários mínimos no sector e que o descontentamento está a crescer nas plantações.

A situação que se vive nos estados de Bengala Ocidental e Assam contrasta com a dos trabalhadores das plantações em Kerala e Tamil Nadu, afirmou Alam, que responsabilizou tanto os governos estaduais como o central pelo facto.

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