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Imperialismo, comunicação social e ano novo: festival garantido

No último dia do ano, o ministro venezuelano dos Negócios estrangeiros criticou a «vergonhosa manipulação mediática» que o seu país sofre. A acompanhar as festividades da passagem do dezanove para o vinte, não faltaram exemplos, nas nossas TV, de que, a nível internacional, a campanha de manipulação mediática está para durar.

No contexto do programa Gran Misión Vivienda Venezuela, prevê-se que, em 2019, seja entregue a casa número 3 000 000
Tal como previsto, em 2019 foi entregue a casa número 3 000 000, no contexto do programa Gran Misión Vivienda Venezuela Créditos / camarainmobiliaria.org.ve

No último dia do ano passado, o ministro venezuelano dos Negócios estrangeiros, Jorge Arreaza, recorreu à sua conta oficial de Twitter para criticar a «vergonhosa manipulação mediática» que o seu país continua a sofrer, referindo-se em concreto às fake news (notícias falsas) que alguns órgãos de comunicação espanhóis e latino-americanos «se dedicam a publicar».

Enquanto isso, silenciam esses e muitos outros «meios» o facto de a República Bolivariana da Venezuela – mesmo com as dificuldades resultantes «do bloqueio e da agressão» impostos por Washington e amigos – ter conseguido entregar a «casa 3 milhões», no âmbito do programa Grande Missão Habitação Venezuela, criado em 2011 pelo então presidente da República, Hugo Chávez, com o objectivo de enfrentar a abordagem especulativa e capitalista do sector privado ao direito à habitação, e, dessa forma, garantir a pessoas de baixos recursos uma casa digna e o acesso a serviços básicos.

No dia 26 de Dezembro, 3 000 000 de casas entregues; até 2025, o objectivo é chegar a 5 000 000 – um marco histórico e uma vontade reafirmada pelas autoridades, que assumem maior relevância no contexto das dificuldades impostas ao país caribenho.

Abafar os 3 000 000 de casas entregues e dizer, por exemplo, que Maduro quer os venezuelanos na pobreza é um quase-nada num ano de intensa campanha de ataque à Venezuela, desde que Guaidó se autoproclamou e houve TV e figurões (de cá também) a cobrir no local as «cenas» da extrema-direita e a dar voz aos seus porta-vozes; mas, como bem sabe o ministro e talvez saiba o leitor, a campanha não acabou.

De resto, a acompanhar as festividades da passagem do dezanove para o vinte, não faltaram exemplos, nas nossas TV, de que, a nível internacional, a campanha de manipulação mediática está para durar. Até no regaço mais recôndito dos barrocos serranos, com as cavacas a arder e chaminés a fumegar, se viu o Burj Khalifa, que é enorme, fica no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), e proporciona espectáculos de «luz e fogo».

Os Emirados são uma maravilha, ao que parece, pelos vistos na TV – sobretudo quando nada nos contam do que há anos os Emirados são um dos principais intervenientes na guerra de agressão imperialista ao Iémen, contribuindo para a destruição do mais pobre dos países árabes e para gerar uma das maiores crises humanitárias de sempre.

Recentemente, surgiram ainda informações relativas ao saque de peças arqueológicas do Iémen, em que os EAU têm assumido um papel destacado, segundo denúncias realizadas por um arqueólogo norte-americano. Mas, pelos vistos na TV, nada a apontar.

Também em destaque nesta passagem esteve, nos ecrãs que levam as festas a planícies e montanhas, o «ataque à embaixada dos EUA no Iraque», em que «aquela gente» parecia desgovernada e sem norte, a insurgir-se contra a sede da «civilização mundial». A propósito, podiam os «meios» ter lembrado a protecção que os EUA deram, em Washington, à ocupação da embaixada da Venezuela, um Estado soberano. Mas não se foi por aí.

A novela «Irão» deu logo-logo, mas sobre a ocupação do Iraque pelos EUA, que dura há 16 anos, tudo ficou por dizer, bem como sobre as ditas milícias «pró-Irão» – as Kata'ib Hezbollah –, que combatem o Daesh e foram atacadas pelos EUA.

A partir de segunda-feira, temos nova edição do Paris – Dakar, que é na Arábia Saudita (acusada de violações de direitos humanos a nível nacional, de liderar a guerra atroz contra o Iémen e de financiar o terrorismo na Síria). Já há loas e há-de haver mais. O mesmo se passará com o Qatar e o «seu» mundial (de 2022). Pouco parece interessar à «imprensa» que a Síria continue a acusar esse país árabe de gastar milhões no apoio ao terrorismo.

O que acima se refere é apenas uma ligeira amostra. Frente às grandes doses diárias de propagação do neoliberalismo, do imperialismo e do neocolonialismo nos vários quadrantes do mundo, a luta que aqui se trava continuará a ser anti-imperialista e pela soberania dos povos.

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