Partidos de esquerda, sindicatos e outras organizações têm dinamizado muitos dos protestos em defesa da paz e do direito internacional que, desde o dia 28, têm tido lugar em vários pontos da Índia.
Um deles, promovido pelos partidos de esquerda, juntou centenas de pessoas esta terça-feira em Jantar Mantar, no centro de Nova Déli, com cartazes contra a guerra e o imperialismo, a denunciar os bombardeamentos ao Irão e a afirmar que «EUA e Israel são a maior ameaça à paz mundial».
Ao intervir, Dipankar Bhattacharya, secretário-geral do Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) Libertação, sublinhou a necessidade de pôr fim à guerra imperialista e denunciou a acção do «eixo criminoso» EUA-Israel.
Por seu lado, o Partido Comunista da Índia (Marxista) – PCI(M) destacou que a agressão imperialista desse eixo é «ilegal» e levada a cabo à margem do direito internacional, violando de «forma flagrante a soberania nacional do Irão, a Carta das Nações Unidas e todos os acordos internacionais».
Presente na iniciativa, Brinda Karat, dirigente do PCI(M), questionou o «silêncio» do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, sobre «a agressão imperialista ao Irão».
Em declarações à imprensa, Karat lembrou que Modi, «segurando as mãos ensanguentadas de Netanyahu, disse que esta é a voz do povo da Índia», e perguntou a cuja voz Modi se referia e se foi a Israel, na semana passada, para dar o aval à guerra.
«Com o protesto de hoje, estamos a erguer as nossas vozes contra a intimidação imperialista de Trump e contra a agressão do Israel sionista», declarou, citada pela PTI.
Imperialismo põe em perigo a paz no mundo
Também esta terça-feira, mais de 500 pessoas, sobretudo agricultores, mobilizaram-se em Chennai (Tamil Nadu) contra a guerra em curso contra o Irão, por iniciativa do Sindicato dos Agricultores de Toda a Índia (All India Kisan Sabha).
Vários oradores fizeram uso da palavra para condenar aquilo que designaram como acordo secreto entre a Índia e os EUA, bem como para vincar a oposição firme à agressão militar dos EUA e Israel contra o Irão, uma «intervenção imperialista» que, afirmaram, «ameaça a paz e a estabilidade no mundo».
Igualmente em Chennai, uma enorme manifestação promovida pelos partidos de esquerda deu também expressão à condenação das acções do imperialismo contra o Irão, com os oradores a criticarem o «silêncio» do governo indiano.
Defesa da paz vincada em Kerala
Em Thiruvananthapuram, capital de Kerala, e noutras cidades do estado do extremo Sul da Índia, centenas de pessoas manifestaram-se esta segunda-feira para dizer «não» à guerra contra o Irão.
Nas mobilizações organizadas pelo PCI(M) e outros partidos de esquerda, os manifestantes defenderam a paz, condenaram «os ataques militares não provocadas» contra o Irão e alertaram os riscos que as acções do eixo EUA-Israel acarretam, ao seguirem deliberadamente uma via que pode incendiar o mundo inteiro.
EUA, o «bully beligerante»
Cidades como Lucknow (Uttar Pradesh), Srinagar (Caxemira) e Hyderabad (Telangana) também foram palco de mobilizações, nos últimos dias, em protesto contra a agressão imperialista ao Irão e a exigir ao governo indiano que assuma um posicionamento claro de apoio à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional.
Logo no dia 28, o PCI(M) emitiu uma declaração de condenação aos ataques perpetrados por EUA e Israel, na qual se sublinha que Washington «está a agir como um bully beligerante, atacando países soberanos a seu bel-prazer», e que a agressão ao Irão se segue à que foi perpetrada recentemente contra a Venezuela e às ameaças a Cuba.
Lembrando que o ataque ao Irão ocorreu imediatamente após o fim da visita do primeiro-ministro indiano a Israel, o PCI(M) exigiu ao governo da Índia que condene de forma inequívoca essa agressão.
O partido do Congresso Nacional Indiano também se posicionou contra a ofensiva militar, tendo afirmado em comunicado que as acções dos EUA no Irão e na Venezuela «sinalizam um preocupante ressurgimento das doutrinas de mudança de regime e de unilateralismo coercivo».
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
