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Forças israelitas matam a tiro um funcionário municipal perto de Nablus

Shadi Salim, um técnico municipal dos serviços de água em Beita, foi morto esta terça-feira à noite. Mais de cem palestinianos foram feridos pelas forças israelitas nos protestos que se seguiram.

Palestinianos durante os protestos em Beita contra a ocupação israelita, 25 de Junho de 2021 
Mais de cem palestinianos foram feridos pelas forças israelitas nos protestos contra a morte de Lufti Salim (imagem de arquivo) CréditosAyman Nubani / WAFA

Shadi Omar Lutfi Salim, de 41 anos, foi morto a tiro pelas forças de ocupação israelitas à entrada da localidade de Beita, a sul de Nablus.

A agência WAFA afirma que Lutfi Salim foi atingido ontem à noite, numa altura em que não se registava qualquer protesto ou distúrbio na zona, e que os militares israelitas alegaram que «ele se aproximou dos soldados de forma ameaçadora com o que parecia ser uma barra de ferro».

No entanto, Abdul-Mun'im Issa, membro do Município de Beita, disse à agência que Salim, técnico municipal dos serviços de água, foi abrir a principal fonte de abastecimento de água antes de ser morto a tiro.

A empresa israelita Mekorot, que detém o monopólio da distribuição e venda de água na região, «fornece o mínimo às aldeias e cidades palestinianas, enquanto abastece em quantidades generosas os colonos na Margem Ocidental ocupada», explica a WAFA.

Os palestinianos residentes em Beita têm vindo a protestar contra a construção do novo colonato judaico de Givat Eviatar, no cimo do Monte Sabih, e o confisco de terras dos aldeãos palestinianos para que as autoridades israelitas ali possam construir uma estrada só para colonos judeus.

Além do colonato no Monte Sabih, as forças israelitas criaram, há alguns meses, um posto avançado no cimo do Monte al-Arma, a norte de Beita, na medida em que ambas as elevações gozam de uma localização estratégica, com vista para o distrito de Nablus e o Vale do Jordão, uma faixa de terra fértil a oeste do Rio Jordão que representa aproximadamente 30% da Cisjordânia ocupada.

Mais de cem feridos em protestos contra a morte de Salim

Os protestos que se seguiram à morte a tiro, pelos militares israelitas, do funcionário municipal de Beita foram reprimidos com violência.

Ahmad Jibril, do Crescente Vermelho Palestiniano, revelou que as forças israelitas disparam contra os manifestantes, atingindo um com fogo real e 19 com balas de aço revestidas de borracha.

Disse ainda que 72 pessoas sofreram problemas respiratórios devido ao lançamento de latas de gás lacrimogéneo e que outras 14 sofreram ferimentos resultantes de quedas de sítios altos, depois de serem perseguidas pelos soldados israelitas ou por eles espancadas.

Mais de 600 mil colonos israelitas vivem em centenas de colonatos construídos nos territórios palestinianos ocupados da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Todos são considerados ilegais à luz do direito internacional.

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