A efígie do presidente legítimo da Venezuela, sequestrado no sábado passado juntamente com a sua esposa, Cilia Flores, por forças norte-americanas, foi colocada nas imediações do edifício legislativo do estado do extremo Sul da Índia, como forma de solidariedade com a Venezuela e apoio à reivindicação da libertação dos sequestrados.
Esta quarta-feira, na abertura da quarta edição de festival literário internacional organizado pela Assembleia de Kerala (KLIBF), o ministro-chefe do estado, Pinarayi Vijayan, recordou as «circunstâncias especiais em que vivemos» e condenou a intervenção norte-americana na Venezuela, bem como as ameaças dos EUA a outros países e territórios.
Na ocasião, instou a comunidade literária a discutir tal «acção imperialista», tendo classificado o rapto de Maduro e Cilia como um «acto de arrogância e insolência», indica o portal thenewsminute.com.
Logo no dia 3, Pinarayi Vijayan, que é também militante do Partido Comunista da Índia (Marxista) - PCI(M), publicou no Twitter (X) uma mensagem a condenar com veemência «a flagrante agressão imperialista dos EUA à Venezuela», que caracterizou como «actuação perversa de um Estado pária» e um «acto de terrorismo que ameaça a tranquilidade da América Latina».
Mobilizações solidárias com a Venezuela por todo o país
A instalação com uma figura de Maduro a dar as boas-vindas aos visitantes à entrada da Assembleia Legislativa, em Thiruvananthapuram, não é a única expressão solidária com o presidente venezuelano e o país sul-americano em Kerala, onde a Federação Democrática da Juventude da Índia, a Federação dos Estudantes da Índia e a Associação das Mulheres Democratas de Toda a Índia organizaram mobilizações para condenar «a agressão imperialista dos EUA à Venezuela e o rapto do seu presidente, Nicolás Maduro».
Também o fizeram no estado vizinho de Tamil Nadu, onde centenas de pessoas vieram para as ruas protestar contra «as atrocidades imperialistas dos EUA na Venezuela», participando em concentrações e manifestações. «O PCI(M) solidariza-se com o povo da Venezuela», lê-se numa das publicações no Twitter (X), em que se mostra efígies de Donald Trump a serem queimadas nas ruas.
Logo no domingo, o PCI(M) e outros partidos de esquerda emitiram uma declaração conjunta de condenação à agressão norte-americana, tendo ainda apelado à realização de protestos, a nível nacional, para expressar solidariedade ao povo venezuelano.
Seguiram-se mobilizações, algumas de grande dimensão, em cidades e estados como Nova Déli, Calcutá, Chennai, Bangalore, Hyderabad e Assam, entre outros.
As primeiras mobilizações solidárias com a Venezuela no país sul-asiático – que se têm prolongado pela semana fora – tiveram lugar logo no sábado, dia 3, assim que vieram a público notícias dos acontecimentos em Caracas e outras cidades venezuelanas.
Trabalhadores e delegados sindicais que participavam numa conferência nacional do Centro dos Sindicatos Indianos (CITU) em Visakhapatnam, no estado de Andra Pradexe, estiveram presentes numa marcha em solidariedade com o povo venezuelano e o seu presidente, Nicolás Maduro, exigindo a sua libertação e a da sua mulher, e gritando palavras de ordem contra o imperialismo norte-americano.
Críticas ao governo de Modi
Os partidos de esquerda criticaram a «resposta tímida» do executivo liderado por Narendra Modi às violações perpetradas pelos EUA contra o direito internacional e a soberania da Venezuela, exigindo que a Índia assuma uma condenação forte.
Num comunicado emitido dia 5, o PCI(M) considerou o posicionamento do governo indiano «cobarde», ao não expressar uma única «palavra de condenação sobre a grave violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional».
«Este posicionamento pró-EUA está em linha com a ideologia de direita do governo de Modi e com os seus laços estratégicos com o governo de Trump», denuncia o texto, sublinhando que, desta forma, a Índia abdica «de qualquer pretensão de representar os interesses do Sul Global».
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