Numa altura em que o imperialismo mostra estar de garras afiadas, a história lembrará aqueles que ousam insurgir-se. Há quase 80 anos, em 1947, a primeira edição do Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE), organizado pela Federação Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJD), surgiu na sequência da vitória sobre o nazi-fascismo e da resistência antifascista. Volvidos estes anos todos, a organização mundial juvenil torna a convocar uma nova edição do Festival, a vigésima, com os motivos redobrados, desta feita em Caracas, na Venezuela.
«O imperialismo representa hoje a mais grave ameaça enfrentada pela juventude e pelos povos do mundo», afirma a FMJD num apelo à participação de todos os jovens em redor do mundo. Numa análise feita à actual situação internacional, a organização denuncia o aumento das despesas militares, a corrida ao armamento, a guerra, a ocupação, a ingerência e a coerção económica, militar e política são fomentados por políticas imperialistas, como as levadas a cabo pelos EUA, pela NATO e pela União Europeia, como as principais ameaças ao futuro da humanidade,
Encarando que tal é uma tentativa de contornar o declínio relativo dos Estados Unidos e das restantes potências do G7, bem como o crescente desenvolvimento económico e o papel reforçado de outros países nas relações internacionais, a FMJD entende que «a situação actual exige o reforço da luta dos povos e da juventude pela Paz, pela soberania e pelos direitos, contra o imperialismo».
Elencando o genocídio do povo palestiniano, os bombardeamentos contínuos ao Líbano, as agressões contra os povos do Médio Oriente, o conflito em curso na Ucrânia, as ingerências e os conflitos em África, as ameaças contra a Venezuela e a Colômbia, o bloqueio de Cuba e as ingerências na América Latina, bem como a militarização da Ásia-Pacífico, a FMJD assume que é tempo de criar laços internacionalistas que se materlizem numa ampla frente anti-imperilaista, sendo o XX FMJE uma plataforma para alcançar tal objectivo.
Neste sentido, em Portugal já está em marcha a preparação para o festival mundial e um conjunto de organizações já criou o Comité Nacional Preparatório para o XX FMJE. No apelo à juventude portuguesa, lançado ontem nas redes sociais, o conjunto de organizações destaca que os jovens portugueses têm uma «ligação inseparável a
este movimento», tendo estado sempre presente desde a sua primeira edição, «mesmo sob a pressão fascista, pagando por vezes um elevado preço por sonhar e lutar».
A organização apela que a preparação do FMJD seja acompanhada pela luta por um ensino gratuito, democrático e de qualidade para todos; pela rejeição ao subfinanciamento crónico, às barreiras no acesso ao conhecimento e à mercantilização da educação; pela exigência de uma acção social robusta, gestão democrática das instituições de ensino e um sistema científico que sirva o povo; pela luta contra a precariedade no trabalho e na vida; e pela exigência de empregos com direitos, salários dignos e horários que respeitem a vida pessoal. Ou seja, o apelo assenta no «não à guerra» e ao reforço das funções sociais do Estado.
«A juventude portuguesa marcará presença em Caracas com a sua força, e as suas reivindicações, a sua cultura vibrante e a sua vontade inabalável de mudar o mundo. Participa nas actividades preparatórias em Portugal. Junta a tua voz, a tua energia, a tua criatividade. Vamos até Caracas em 2026 para mostrar ao mundo a força da juventude no nosso país, unida na luta por Paz, Direitos e um Futuro digno», pode ler-se na conclusão do apelo.
Estima-se já que o FMJE juntará mais de 50 mil jovens de mais de 100 países. Em Portugal, a pré-inscrição do Festival pode ser feita aqui e tem um taxa de participação de 128 euros. Este valor inclui viagem de avião (ida e volta), toda a alimentação e estadia para toda a duração do festival.
Ao longo dos oito dias do Festival, os participantes têm acesso a um programa diversificado que combina dimensões formativas, culturais, desportivas e políticas. Estão previstos fóruns e debates temáticos sobre questões centrais como a paz, a educação pública, as alterações climáticas, os direitos da juventude, a igualdade e a soberania dos povos. Paralelamente, decorrem inúmeras actividades culturais, concertos, exposições, sessões de cinema, dança teatro e desportivas, que celebram a riqueza da diversidade de cada povo e de cada cultura.
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