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EUA: Trabalhadores da Dollar General em luta pelos direitos

Funcionários de uma loja em Holly Hill (Carolina do Sul) avançaram para a greve, em defesa de melhores salários, segurança e a reintegração de uma trabalhadora que dizem ter sido injustamente despedida.

Créditos / @RaiseUptheSouth

Na pequena cidade de Holly Hill, no estado norte-americano da Carolina do Sul, os trabalhadores da cadeia Dollar General fizeram greve no passado dia 16, depois de, no dia 12, terem enviado à empresa uma declaração com várias reivindicações.

Entre outras coisas, reclamam um salário mínimo de 15 dólares por hora, mais funcionários, horários estáveis, mais segurança no local de trabalho – depois de a loja ter sido assaltada várias vezes nos últimos meses – e a reintegração de Tara Thompson, uma trabalhadora que foi «injustamente» despedida.

Os trabalhadores, que se têm estado a organizar junto da plataforma Raise Up the South, informaram a empresa que, se as suas exigências não tivessem uma resposta positiva, avançariam para a greve – o que se veio a concretizar.

Na manhã de dia 16, os funcionários, que não têm um sindicato que defenda os seus direitos, saíram do local de trabalho [vídeo] e, exibindo cartazes com as suas reivindicações, realizaram uma concentração, apoiados por trabalhadores com baixos salários vindos de outros pontos do estado, refere o portal liberationnews.org.

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«Estamos em greve porque a Dollar General não nos protege. Fui vítima de um assalto no trabalho. Logo depois de ser roubada – nem sequer 15 minutos depois –, a administração já estava a dizer-me para abrir novamente a loja. Eu estava abalada», denunciou Keshia Brown.

Os trabalhadores também abordaram a possibilidade de criar um sindicato. «Eles querem que a gente venha trabalhar e faça uma empresa de mil milhões de dólares, sem abrir a boca», disse Keshia. «Mas nós precisamos de uma voz e é por isso que eu acho que precisamos de um sindicato», frisou.

Trabalhadores não abdicam da reintegração de Tara

No dia 15, a Dollar General tinha respondido parcialmente às situações colocadas pelos funcionários, nomeadamente ao nível da segurança, criando melhor visibilidade em torno da loja, já que o espaço tem sido alvo constante de assaltos.

Taiwanna Milligan, trabalhadora na loja de Holly Mill e membro da Raise Up South, lembrou que estas medidas já andavam a ser pedidas à administração há meses e que a Dollar General «não nos ouviu até ameaçarmos fazer greve».

«Decidimos prosseguir com a paralisação porque há muitos mais problemas que a Dollar General tem de solucionar», disse.

Um deles é a reintegração de Tara Johnson, que os funcionários denunciam ter sido injustamente despedida depois de levar o filho ao médico, e com a administração da loja a par.

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«Fui injustamente despedida pela Dollar General, no dia antes de entregarmos a nossa petição. Eu tinha de levar o meu bebé ao médico e informei a administração com antecedência. Eles disseram que estava bem, mas, quando regressei ao trabalho, despediram-me imediatamente», disse Johnson, acrescentando que não está só a exigir o emprego de volta, mas também tudo o mais a que tem direito.

«Roubam-nos o salário. Não temos de aguentar isto»

«O roubo dos salários é um grande problema na nossa loja, disse ainda Tara. «Descontaram-me horas no meu cheque e marcaram que tinha saído quando ainda estava a trabalhar», denunciou, frisando que «a Dollar General nem sequer se esforça para esconder isto» e que «o mesmo se passou com outros trabalhadores».

«Não temos de aguentar isto», clamou.

Segundo revela o liberationnews.org, tem-se registado um aumento, a nível nacional, de trabalhadores organizados nas lojas da Dollar General, sobretudo no Sul.

Na última Primavera, houve greves em lojas na Carolina do Norte, Oklahoma e Virgínia, e, no passado dia 25 de Maio, delegações de trabalhadores de vários estados do Sul dos EUA protestaram junto à assembleia de accionistas, no Tennessee.

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