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Custo de vida sobe mas salários não: funcionários públicos fazem greve no Sri Lanka

Centenas de milhares de funcionários públicos cingaleses realizaram uma greve para exigir aumentos salariais, tendo em conta as sucessivas subidas de preços e a crise económica do país.

Trabalhadores durante a jornada de greve no Sri Lanka 
Trabalhadores durante a jornada de greve no Sri Lanka CréditosNimalsiri Edirisinghe / Daily Mirror / Peoples Dispatch

Mais de 600 mil trabalhadores filiados na Associação dos Sindicatos de Funcionários Públicos do Sri Lanka (Slgotua, na sigla em inglês) fizeram uma greve a meio da semana em protesto contra «a incapacidade do governo de resolver as questões salariais, enquanto o custo de vida aumenta», noticiou esta quinta-feira o portal Peoples Dispatch.

Fontes sindicais revelaram que a adesão à paralisação rondou os 80%. Num ano com repetidas subidas de preços dos bens essenciais, os trabalhadores exigem ao executivo que os seus salários registem um aumento de, pelo menos, 18 mil rupias (cerca de 78 euros).

O governo do presidente Gotabaya Rajapaksa afirmou que «não há possibilidades de aumentar os salários nas actuais circunstâncias» e, perante esta falta de resposta positiva às suas exigências, no dia 5 a associação sindical anunciou que ia avançar com a greve, segundo informou o jornal The Morning.

Várias organizações representativas dos trabalhadores, incluindo a Federação dos Sindicatos de Funcionários Públicos do Sri Lanka, que reúne 35 organizações, disseram que iriam participar na jornada de protesto.

Estado de emergência económica prolonga-se e vários sectores mobilizam-se

A greve, que teve lugar no dia 8, ocorreu na sequência de um mês de mobilizações em vários sectores – como na Saúde, na Educação e na Energia –, num contexto em que se mantém o estado de emergência económica imposto pelo presidente em Agosto último (posteriormente ratificado no Parlamento).

De acordo com o Peoples Dispatch, os protestos frequentes este ano mostram a saturação da população com a política do actual executivo, que acusam de ser «favorável às grandes empresas».

No mês passado, trabalhadores da Educação alcançaram melhorias salariais após quatro meses de luta. Já na Saúde pública, o governo continua a não aceder às reivindicações dos trabalhadores e, a 24 e 25 de Novembro, mais de 50 mil trabalhadores participaram numa greve de dois dias.

Apontando responsabilidades à crise económica que o país insular enfrenta, o governo anunciou um corte de seis mil milhões de rupias [mais de 26 milhões de euros] para o sector da Saúde no Orçamento de 2022.

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