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Enorme demonstração de força dos trabalhadores bascos

Com base na forte adesão registada, as centrais sindicais classificaram a greve geral desta terça-feira no País Basco como um «êxito». Milhares vieram para as ruas em defesa de um salário mínimo de 1500 euros.

Vitória-Gasteiz foi uma das cidades bascas onde os trabalhadores se manifestaram na jornada de greve geral Créditos / @LABsindikatua

A jornada de luta no País Basco Sul (Comunidade Autónoma Basca e Navarra) centrou-se na defesa de um salário mínimo próprio e de aumentos salariais que plasmem uma melhor distribuição da riqueza produzida.

Os sindicatos ELA, LAB, Steilas, Etxalde e Hiru destacaram a elevada adesão à greve, com grande impacto na indústria, nos transportes e na educação. Várias estradas foram cortadas por iniciativa dos piquetes de greve e ao final da manhã houve manifestações em vários pontos do território, que juntaram mais de 100 mil pessoas nas ruas.

Em comunicado, as centrais sindicais sublinharam o impacto da greve «em muitos sectores» e as grandes mobilizações que tiveram lugar em Bilbau (45 mil pessoas), Donostia (30 mil), Vitória-Gasteiz (15 mil) e Iruñea-Pamplona (10 mil), além de Tudela e Eibar.

Ao final da tarde, repetiram-se as manifestações nas capitais e em muitas outras localidades bascas – 85 no total –, nas quais voltaram a ficar patentes as reivindicações de um salário mínimo de 1500 euros e de aumentos salariais generalizados, bem como a denúncia da precariedade, a defesa do aumento das pensões de reforma, da melhoria das condições de vida dos jovens, das mulheres e dos migrantes, indica o portal naiz.eus.

Entre as questões colocadas pelos manifestantes nas mobilizações – que contaram com o apoio de 1750 comités de empresa e mais de 100 organizações sociais –, estiveram também a do direito à habitação e a do aumento do custo de vida, alertas para a desindustrialização de determinadas regiões, a denúncia das guerras promovidas pelo imperialismo e as reivindicações de justiça social.

Os trabalhadores bascos dizem não a um «modelo injusto»

Em declarações à imprensa em Bilbau, o coordenador geral do LAB, Igor Arroyo, destacou a grande demonstração força dada pela classe trabalhadora basca, ao fazer frente a um «modelo injusto» que faz com que a riqueza se concentre em poucas mãos.

Em seu entender, num tempo marcado pela «opressão e a guerra», a jornada de luta no País Basco traz uma «mensagem de esperança», a de que, por via da organização e da luta colectiva, «é possível construir um outro modelo em Euskal Herria», que ponha no centro as vidas dos trabalhadores e não os interesses das elites.

Ao sublinhar o «êxito» da greve geral, Arroyo disse que patronato e partidos tentaram encerrar as vias que estavam a ser utilizadas, a da negociação colectiva e a do diálogo político, mas são agora forçados a reabri-las.

«Desde que convocámos a greve, conseguimos desbloquear vários acordos. Obrigámos o patronato a mexer-se na mesa de negociação», frisou.

Com a jornada de luta desta terça-feira, os trabalhadores dirigiram uma mensagem clara ao patronato, disse ainda o dirigente sindical, sublinhando: «Se estamos dispostos a conversar e a alcançar acordos, […] estamos também preparados para lutar e foi isso que hoje mostrámos.»

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