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Cuba denuncia «manobra política hostil» dos EUA

O presidente de Cuba e o diplomata Bruno Rodríguez denunciaram a acção de propaganda dos EUA para enfraquecer o apoio à ilha na exigência do fim do bloqueio que lhe é imposto há mais de meio século.

Cartaz em Cuba contra o bloqueio imposto ao país pelos EUA
Cartaz em Cuba contra o bloqueio imposto ao país pelos EUACréditos / RT

Na sua conta de Twitter, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, alertou ontem para o «início de uma nova manobra política, com fins propagandísticos, contra Cuba», empreendida pelos Estados Unidos, com o propósito de «manipular a opinião pública, os estados e de debilitar o apoio da comunidade internacional à Resolução contra o bloqueio», que será votada no próximo dia 31 na Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU).

O alerta de Díaz-Canel segue-se à conferência de imprensa dada na véspera, em Havana, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, para denunciar a referida «manobra política hostil» norte-americana contra Cuba.

Na ocasião, o diplomata afirmou que a representação norte-americana na ONU fez circular um documento com oito emendas ao projecto de resolução intitulado «Necessidade de pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba», que o país caribenho irá apresentar à AGNU.

Nas palavras do ministro cubano, as emendas ao projecto de resolução para exigir o fim do bloqueio imposto pelos EUA – referentes à área dos direitos humanos e da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável – «estão repletas de incongruências e denotam uma profunda ingnorância».

Ainda assim, disse, mais relevante que o conteúdo das emendas é um outro documento que dá corpo à manobra dos EUA contra Cuba, divulgado «de forma dissimulada» pelo Departamento de Estado com o «propósito evidente de pressionar» outros países-membros das Nações Unidas para que «modifiquem a sua atitude» relativamente ao projecto de resolução contra o bloqueio, que, desde 1992, recebe o apoio maioritário da Assembleia Geral.

«Profunda hipocrisia»

Rodríguez afirmou que os textos reconhecem que o projecto de resolução constitui uma «condenação do impacto da aplicação do bloqueio ao povo cubano», e tal – sublinhou – é «profundamente hipócrita», na medida em que é a administração norte-americana que impõe esse bloqueio, que está na origem de «privações, carências e dificuldades» sentidas na ilha, que atingem todas as famílias e cidadãos cubanos, assim como países terceiros.

«Este documento, ao mesmo tempo, acrescenta que os Estados Unidos sempre estiveram solidários com o povo cubano e com o seu direito a determinar o seu próprio futuro democrático», referiu o ministro, que de imediato considerou «verdadeiramente lamentável» que a administração norte-americana, quando agride a ilha, «assuma uma pose de solidariedade com o povo que bloqueia».

O texto refere que as emendas visam «provocar alterações na situação dos direitos humanos em Cuba», algo que Bruno Rodríguez classificou como «absolutamente inaceitável».

A este título, lembrou a «natureza criminosa» do bloqueio, que caracterizou como uma «violação massiva dos direitos humanos» dos cubanos e como um «acto de genocídio».

Cuba pronta a debater qualquer tema com os EUA

Disse ainda que Cuba se tem mostrado disposta, reiteradamente, a debater qualquer tema com os EUA, incluindo os direitos humanos, nas Nações Unidas ou noutros âmbitos, sendo que, nesse caso, será forçoso abordar as falhas constantes que os Estados Unidos da América apresentam na matéria, nomeadamente no que respeita aos direitos dos afrodescendentes, das mulheres, das crianças, dos migrantes.

Neste contexto, destacou também que os direitos à alimentação, à saúde, à protecção social não são respeitados num país rico como os EUA, que promove guerras imperialistas nas mais variadas «latitudes do planeta».

O diplomata cubano denunciou a atitude de Washington, que «utiliza uma retórica cada vez mais hostil e leva a cabo acções contra Cuba», para além de manter «um compromisso com sectores minoritários» ligados à extrema-direita e às máfias anti-cubanas de Miami, na Florida.

Se a circulação de documentos entre os estados-membros das Nações Unidas constitui mais uma «manobra de propaganda», «para manipular a opinião pública internacional», a ilha mantém-se firme na intenção de dialogar com os Estados Unidos, mas só o fará tendo como princípios «a igualdade e o respeito pela soberania», frisou.

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