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Comunistas indianos exigem medidas urgentes para defender o povo da miséria

O PCI(M) exigiu medidas urgentes face ao agravamento da situação de desemprego e pobreza na Índia, na sequência da resposta descoordenada à pandemia e das «políticas anti-populares» de Modi.

Protesto em Simlapal, em Bengala Ocidental, no âmbito da jornada de luta convocada pelo PCI(M)
Protesto em Simlapal, em Bengala Ocidental, no âmbito da jornada de luta convocada pelo PCI(M) Créditos / @cpimspeak

O Partido Comunista da Índia (Marxista) – PCI(M) – saudou as milhares de pessoas que, por todo o país, aderiram à jornada nacional de protesto contra as políticas anti-populares do primeiro-ministro, Narendra Modi. Para os comunistas, a boa resposta à iniciativa, que decorreu na semana passada, evidencia que as exigências colocadas ao governo indiano (nacionalista de direita) coincidem com as necessidades do povo.

Em vários estados da Índia, houve concentrações, manifestações e marchas de protesto, nas quais os manifestantes também chamaram a atenção para a má gestão governamental da crise associada ao surto epidémico de Covid-19 e ao confinamento.

Entre as exigências apresentadas pelo PCI(M) contam-se a transferência de dinheiro e cereais por um período de seis meses, 200 dias de trabalho garantido na agricultura, a criação imediata de um subsídio de desemprego e o fim da política de privatizações das empresas estatais.

«As pessoas estão a ficar com fome. Não têm comida. As experiências dolorosas de trabalhadores migrantes nas estradas a caminho de suas casas mostraram-nos a dimensão da fome que uma grande parte do nosso povo está hoje a sofrer», disse o secretário-geral do PCI(M), Sitaram Yechury, nos protestos em Nova Déli.

As camadas mais desfavorecidas da população foram fortemente afectadas por um período de quarentena mal planeado e imposto pelo governo a 24 de Março. Muitas empresas fecharam e milhões viram-se sem emprego de um dia para o outro, sobretudo no sector informal.

O PCI(M) estima que 150 milhões de pessoas tenham perdido o seu posto de trabalho durante a fase de quarentena, juntando-se ao já elevado número de desempregados no país asiático. «Uma parte importante do nosso povo perdeu todos os meios de subsistência», destaca o PCI(M) numa nota a propósito da jornada de mobilização.

Respostas ao desemprego e ao empobrecimento

Os comunistas acusam o governo nacionalista hindu liderado pelo Partido Janata Bharatiya (BJP) de ter metido a população mais desfavorecida numa armadilha ao decretar a quarentena sem anunciar medidas que compensassem as perdas dos trabalhadores.

Milhões foram obrigados a abandonar as grandes cidades e tiveram de percorrer centenas de quilómetros na tentativa de chegar às suas aldeias. Dezenas morreram pelo caminho, sem transportes e qualquer apoio das autoridades.

Em declarações à imprensa, Yechury disse que o governo, em vez de providenciar recursos aos desempregados, às pessoas em dificuldades para poderem viver, está a aumentar os impostos. «Não pode haver nada mais criminoso do que isto», criticou.

Para dar resposta à situação de emergência que a Índia enfrenta, o PCI(M) exigiu que o governo atribua 7500 rupias (cerca de 88 euros) por mês, durante seis meses, às famílias mais pobres e a distribuição mensal de dez quilos de cereais por indivíduo (também por um período de seis meses).

Além disso, quer que os trabalhadores rurais tenham garantidos 200 dias de trabalho, com melhores salários; exige a criação imediata de um subsídio de desemprego; e o fim do «saque aos bens nacionais, das privatizações do sector público e da alteração da legislação laboral».

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