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Comunistas gregos recusaram-se a «branquear neonazis» no Parlamento

Numa carta, os comunistas gregos informaram o presidente do Parlamento que não participariam na sessão desta quinta-feira, com Zelensky a discursar, à qual se referiram como uma «vergonha».

Volodymyr Zelensky, presidente da república da Ucrânia, reúne com os homólogos da República Checa, Polónia e Eslováquia. Kiev, Ucrânia, 15 de Março de 2022 
Os comunistas gregos recusaram-se a participar na sessão parlamentar especial em que discursou Volodymyr Zelensky CréditosGoverno da Ucrânia / EPA/Agência Lusa

Sobre a sessão especial, que já hoje teve lugar, o KKE classificou-a na sua conta de Twitter como uma «vergonha», com «os partidos do arco da NATO a aplaudir os nazis da ordem de Azov».

Desta forma, mais justificada considera a decisão que comunicou por carta ao presidente do Parlamento grego, Konstantinos Tasoulas, de não participar na sessão especial.

O KKE, que se tem manifestado muito crítico com a intervenção militar russa em território ucraniano, afirma que Zelensky lidera «um governo reaccionário que se alinhou com os Estados Unidos, a NATO e a União Europeia», que «também são responsáveis pela guerra e o sofrimento do povo ucraniano».

Na missiva, os comunistas gregos lembram que o governo de Zelensky – como os anteriores – «surgiu em condições de grande chantagem para o povo ucraniano, sobretudo depois do golpe de Estado de 2014, com a intervenção directa do campo euro-atlântico».

Zelensky «é responsável pela violação dos direitos dos trabalhadores, do povo, de apoiar e colaborar com os batalhões fascistas, como o Batalhão Azov, que se integrou organicamente no Exército ucraniano, na Polícia e todas as estruturas do Estado», refere o KKE no texto.

Além disso, acrescenta que o actual presidente ucraniano «é responsável pela legalização da propaganda nazi, da recuperação dos colaboradores nazis na Segunda Guerra Mundial como "heróis nacionais"».

A carta denuncia igualmente que o governo de Zelensky «é responsável pela proibição da actividade do Partido Comunista da Ucrânia, da perseguição de comunistas e outros militantes, da detenção e do encarceramento injustificados do secretário e outros membros da Juventude Comunista da Ucrânia, cujas vidas correm actualmente perigo».

Ao abrigo da Lei Marcial, a Ucrânia anunciou recentemente a proibição da mais 11 partidos da oposição, com o argumento de que tinham «ligações à Rússia».

No  texto, o KKE manifesta a sua indignação perante a violação dos direitos das minorias que vivem na Ucrânia, em alusão às imagens divulgadas nas redes sociais em que se pode ver pessoas a serem atadas a postes, humilhadas e agredidas com brutalidade.

«O Grupo Parlamentar do KKE não participará na sessão especial do Parlamento em que intervirá o presidente Zelensky», afirma o texto.

E não participou. Sobre a «vergonha» de hoje no Parlamento da Grécia, os comunistas afirmam, no Twitter, que o governo helénico «branqueia oficialmente neonazis».

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