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Órgãos que não seguem a narrativa da NATO são censurados, acusa a Redfish

A guerra da Ucrânia está a ser usada para incrementar a censura, denuncia a Redfish, acrescentando que «existe uma porta giratória entre as grandes plataformas de redes sociais, os governos ocidentais e a NATO».

Créditos / @redfishstream

Numa entrevista ontem concedida ao diário mexicano La Jornada, Hüseyin Dogru, director da criadora de conteúdos digitais com sede em Atenas, explica que a Redfish já era alvo de censura, de uma ou outra forma, e que esta se intensificou bastante desde a invasão russa da Ucrânia.

Tendo como empresa-mãe a Ruptly, subsidiária do canal russo RT, a Redfish foi etiquetada «falsamente» em todas as plataformas como «meio controlado pelo Estado russo» e punida por «violar algumas das regras», mas, segundo afirma Dogru, sem que fossem apresentadas provas e sem possibilidade de recurso.

Após a invasão russa, as medidas de censura «chegaram a níveis extremos», sublinha, explicando que os conteúdos da Redfish estão proibidos a nível mundial no YouTube e que as contas no Facebook e no Instagram estão bloqueadas na União Europeia, nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Referindo-se concretamente à União Europeia, Hüseyin Dogru destacou que «estas medidas são o resultado da política desenvolvida ao longo dos últimos cinco anos, em que se aplicam medidas enérgicas contra os órgãos que criticam os governos ocidentais e as empresas com que estão na cama, sob o pretexto de lutar contra a "desinformação"».

«A União Europeia esteve a trabalhar muito de perto com as grandes plataformas de redes sociais, o aparelho de segurança do bloco e a NATO para conceber uma estratégia contra a "desinformação"», disse Dogru ao La Jornada.

Como exemplos, apontou que o director global da Política de Conteúdos do Facebook, Mark Smith, foi assessor do comandante-adjunto da NATO, e que o director de Segurança e Confiança Pública do Google, Ben Randa, foi o planificador estratégico e oficial de informação da Aliança Atlântica.

Mostrar o lado dos oprimidos

A Redfish nasceu em 2017 juntando jornalistas de diferentes órgãos de comunicação. «A nossa audiência são os povos oprimidos de todo o mundo, cujas histórias são completamente ignoradas ou marginalizadas pelos meios ocidentais», disse o director.

«Fazemos reportagens de esquerda e documentários em vídeo independentes de partidos, governos ou empresas […], do ponto de vista dos oprimidos e para mostrar a realidade em que a maioria das pessoas em todo o mundo é obrigada a viver», explicou.

«O nosso objectivo era e é mostrar a vida e a luta das pessoas a partir da sua perspectiva, e criar uma plataforma onde tenham oportunidade de falar da sua vida», disse Dogru ao La Jornada, frisando que este trabalho tem sido reconhecido por milhões de espectadores e seguidores em todo o mundo, especialmente na América Latina.

Hoje somos nós, amanhã será qualquer voz crítica

Nas declarações ao La Jornada, o director da Redfish destacou que a guerra na Ucrânia está a ser usada para proibir e punir os órgãos que não seguem a narrativa da NATO.

«Hoje somos nós e qualquer meio de comunicação relacionado com a Rússia, mas podem ter a certeza de que estas tácticas e a repressão da liberdade de imprensa, informação e de expressão serão utilizadas no futuro contra todos os meios críticos», frisou.

Hüseyin Dogru destaca a independência editorial da Redfish, sublinhando que a afirmação de que está controlada pelo Kremlin – por pertencer à Ruptly – é uma «difamação» e um pretexto para reprimir o seu trabalho. A fundamentá-lo, Dogru lembra que a Redfish tem feito a cobertura, na Rússia, de manifestações da oposição e também contra a guerra.

«A única propaganda que fazemos é contar a história e a resistência dos oprimidos contra a classe dominante. A única propaganda que fazemos é dizer a verdade de que o Norte global explorou o Sul global durante séculos», afirmou.

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