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Carabineiros usam substâncias tóxicas para reprimir manifestantes no Chile

Uma análise química realizada pelo Movimiento Salud en Resistencia revela que a água usada pelos Carabineiros para dispersar as manifestações contém gás pimenta e soda cáustica, que é altamente corrosiva.

Estudo de organização chilena encontrou agentes de gás pimenta e soda cáustica nos jactos de água lançados pelos Carabineiros sobre a população nas manifestações contra Piñera
Estudo de organização chilena encontrou agentes de gás pimenta e soda cáustica nos jactos de água lançados pelos Carabineiros sobre a população nas manifestações contra Piñera Créditos / ohmygeek.net

A organização Movimiento Salud en Resistencia publicou ontem o estudo subsequente à análise química de várias amostras obtidas de líquidos lançados pelos canhões de água dos Carabineiros, nos quais se detectou a presença de gás pimenta e agentes de hidróxido de sódio (soda cáustica), que é altamente corrosiva em contacto directo com a pele e pode causar graves danos gastrointestinais, queimaduras internas e mesmo a morte.

A presença da soda cáustica nos jactos de água lançados contra os manifestantes «viola as normas da Polícia antidistúrbios» e mostra até que ponto o governo de Piñera está empenhado em derrotar as manifestações contra as políticas neoliberais no Chile – algo a que o portal resumen.cl chama «guerra química» contra a população.

A soda cáustica poderá explicar as muitas denúncias de queimaduras e reacções alérgicas de pessoas expostas, em todo o Chile, ao contacto dos líquidos lançados pelos tanques dos Carabineiros, um fenómeno cuja maior incidência tinha sido reportado por especialistas do Colégio Médico no país austral.

«A análise mostra que a água contém elementos altamente irritantes, com pH igual a 12 numa escala de 1 a 14, potencialmente mortais e capazes de provocar danos severos face ao contacto dérmico, ocular ou à ingestão acidental», indica o estudo.

Por seu lado, o Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH) anunciou que vai solicitar aos Carabineiros e aos ministérios chilenos do Interior e da Saúde o conhecimento da composição química do líquido lançado sobre os manifestantes, tendo acrescentado que, até à data, apresentou 23 acções judiciais relativas a danos atribuíveis a componentes químicos utilizados pela Polícia nas manifestações.

Confrontados com estas acusações, os Carabineiros negaram, pela voz do seu director de Logística, Jean Camus, a presença de soda cáustica na água que lançam sobre os manifestantes, uma vez que a substância não figura no protocolo de acção nem no manual de utilização desta força, revela a TeleSur.

Balas com pouca borracha e gás lacrimogéneo com efeitos bem tóxicos

A questão das «armas dissuasoras» utilizadas pelos Carabineiros chilenos – força policial reiteradamente acusada de práticas brutais na abordagem às mobilizações – tem sido fonte de polémica constante.

A exposição prolongada aos agentes químicos das bombas lacrimogéneas gera efeitos irreversíveis na população Créditos

Recentemente, um estudo realizado por três universidades do país revelou que as balas de borracha que os Carabineiros disparam contra os manifestantes têm tudo menos borracha, sendo que 85% da sua composição são metais, incluindo chumbo, informa a Prensa Latina.

Também habitual nos protestos que ocorrem no país austral desde 18 de Outubro é a chuva de gás lacrimogéneo lançada sobre os manifestantes. A este propósito, a ex-presidente da Sociedade Chilena de Doenças Respiratórias, Carolina Herrera, referiu ao resumen.cl que a exposição prolongada aos mais de 15 agentes químicos que contém cada cápsula de bomba lacrimogénea e dos carro lança-gases gera efeitos irreversíveis na população, pelo que prevê um aumento nos casos de doença pulmonar obstructiva crónica e de asma, que actualmente afectam cerca de 10% da população chilena.

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