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Bancários indianos em greve contra as privatizações

No primeiro de dois dias de greve, esta segunda-feira, aos bancários juntaram-se outros trabalhadores do sector público, bem como os agricultores em luta na Índia.

<p>Manifestação no estado de Tripura contra a decisão do governo de Modi de privatizar as empresas públicas</p>

Manifestação no estado de Tripura contra a decisão do governo de Modi de privatizar as empresas públicas

Créditos / @cpimspeak

A greve agendada para ontem e hoje pelo Fórum Unido de Sindicatos Bancários (UFBU), que integra nove organizações sindicais, visa denunciar a política de privatizações empreendida pelo governo de Narendra Modi, em especial a decisão de privatizar dois bancos públicos (RBI e BSNL).

Os sindicatos, que tinham afirmado que a paralisação abrangia cerca de um milhão de trabalhadores bancários, sublinharam, ontem, que a greve estava a ser um «êxito», refere o portal newsclick.in. Junto às estações de comboios, ouviram-se palavras de ordem contra as privatizações dos bancos e das empresas do sector público em geral.

A Samyukt Kisan Morcha (organização que agrega dezenas de organizações de agricultores) também se uniu à jornada de luta «anti-privatizações» e «anti-corporatização». Agricultores e funcionários públicos, incluindo os bancários, deixaram clara a oposição à política de desinvestimento no sector público.

«Os protestos tiveram lugar por toda a Índia, em mais de 100 mil locais, frente a agências e estações ferroviárias. Os kisans [agricultores] participaram nas áreas rurais e nos subúrbios», revelaram os sindicatos em comunicado, citado pelo newsclick.in.

Protesto contra as provatizações dos bancos Créditos

Na capital, realizou-se uma concentração em frente da New Delhi Railway Station. Houve protestos semelhantes em múltiplos distritos de estados como Haryana, Uttar Pradesh, Jharkhand, Telangana, Tripura, Tamil Nadu, entre outros. Amarjeet Kaur, secretária-geral do Congresso dos Sindicatos de Toda a Índia (AITUC), sublinhou a carácter unitário das mobilizações e disse que as estações foram escolhidas como local «simbólico» para desafiar as políticas «draconianas» do governo de Modi.

Falando ao telefone com o newsclick.in a partir de Chennai, o secretário-geral da Associação de Funcionários Bancários de Toda a Índia, C.H. Venkatachalam, destacou que os protestos tiveram lugar por todo o país, incluindo estados onde haverá eleições nos próximos dias.

Venkatachalam disse que a adesão à greve era quase total nos bancos públicos e em bancos privados mais antigos. «De forma notável, os funcionários mais jovens estiveram na linha da frente hoje», tendo «colhido inspiração nas experiências que tiveram no sector privado».

«Políticas que atingem mais as pessoas comuns»

Ao apresentar o orçamento para 2021-2022, em Fevereiro, o governo indiano, através do sua ministra das Finanças, Nirmala Sitharaman, deixou clara a intenção de desinvestir no sector público, o que passa também pela venda de bancos e de instituições financeiras do Estado.

Participando no protesto na capital, Anurag Saxena, secretário-geral do Centro dos Sindicatos da Índia (CITU) em Déli, afirmou que a política de privatizações de Modi irá «atingir mais as pessoas comuns». Segundo o newsclick.in, era patente a revolta entre os manifestantes, depois do aumento dos preços do petróleo, do gasóleo e do gás.

À greve de dois dias dos bancários segue-se, amanhã, a dos funcionários da General Insurance Corporation (GIC) e, no dia 18, a dos da Life Insurance Corporation, também em luta contra a privatização.

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