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Altos comandos terroristas fogem da Síria com a ajuda de Israel

Depois da ajuda prestada aos Capacetes Brancos no sábado, Israel acolheu agora quatro comandantes de grupos terroristas, confrontados com o rápido avanço do Exército sírio na província de Quneitra.

Os chamados Capacetes Brancos, organização fundada e apoiada pelas potências ocidentais e cuja credibilidade como força de socorro foi posta em causa por diversas instâncias internacionais, foi uma das principais fontes sobre o alegado ataque químico em Douma
Os chamados Capacetes Brancos, organização fundada e apoiada pelas potências ocidentais e cuja credibilidade como força de socorro foi posta em causa por diversas instâncias internacionais, foi uma das principais fontes sobre o alegado ataque químico em DoumaCréditos / southfront.org

O governo israelita ajudou quatro destacados comandantes de forças terroristas e as suas famílias a escapar da Síria, evitando assim que fossem capturados pelas tropas do Exército Árabe Sírio (EAS), que avançam de forma célere na retoma das províncias de Quneitra e Daraa, no Sudoeste do país.

Referindo-se a fontes militares de Damasco, a Al-Masdar News e televisões sírias revelaram que os indivíduos em causa são Moaz Nassar e Abu Rateb, ambos da Brigada Fursan al-Golan; Ahmad al-Nahs, do grupo Saif al-Sham; e Alaa al-Halaki, do grupo Jaish Ababeel.

De acordo com as fontes, estes indivíduos escaparam da província de Quneitra, com ajuda de Telavive, em direcção aos Montes Golã ocupados por Israel. A Al-Masdar News revela ainda que estas figuras, recrutadas pelos serviços secretos israelitas, mantinham contacto com oficiais israelitas há vários anos.

«Operação de salvamento» dos Capacetes Brancos

No sábado à noite, forças israelitas transportaram do Sudoeste da Síria para a Jordânia, a pedido dos EUA e de diversos países ocidentais, várias centenas de elementos da chamada «organização humanitária» Capacetes Brancos – a comunicação social aponta para cerca de 800.

O governo da Jordânia, que confirmou a chegada dos Capacetes Brancos ao seu território, disse ter aceitado a operação na medida em que o Reino Unido, o Canadá e a Alemanha aceitaram acolhê-los, bem como às suas famílias, indica a PressTV.

De acordo com a Al-Masdar News, a operação de evacuação – antes que cheguem as tropas do EAS – foi coordenada entre diversas partes, incluindo os EUA e a Grã-Bretanha – precisamente dois dos países que são acusados de mais investirem nos Capacetes Brancos.

A PressTV, referindo como fonte o Times of Israel, afirma que a operação estava a ser preparada há algum tempo, mas que foi acelerada após a cimeira recente da NATO em Bruxelas.

«Fachada da Al-Qaeda»

Recorde-se que esta entidade que se define a si mesma como uma organização não governamental para apoiar a população síria teve a sua «máscara terrorista» retirada por diversas organizações internacionais.

Também o Exército sírio revelou documentos que expõem a sua ligação à Al-Qaeda e que evidenciam o seu papel na encenação de ataques químicos contra civis, com o objectivo de «culpar» Damasco e, assim, justificar ataques e um maior intervencionismo das potências ocidentais.

A «encenação de Douma»

Numa entrevista ao Daily Mail publicada no início de Junho, o presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou que o alegado e muito badalado ataque químico em Douma, na região damascena de Ghouta Oriental, foi encenado conjuntamente pelos EUA e os seus «satélites» França e Reino Unido.

Dirigiu, na altura, fortes acusações ao Reino Unido, lembrando que este país «apoiou publicamente» e «gastou muito dinheiro» com os Capacetes Brancos, que são «uma ramificação da Al-Qaeda e da al-Nusra em várias partes da Síria», e foram a organização directamente envolvida na encenação e divulgação do ataque químico em Douma, a 7 de Abril último.

Essa montagem, em concreto, serviu de base para que os EUA, o Reino Unido e a França atacassem posições e instalações do EAS uma semana depois, a 14 de Abril, mesmo sem terem qualquer prova do envolvimento de Damasco no alegado ataque químico e apesar de o governo sírio ter reiteradamente refutado as acusações contra si formuladas como «infundadas».

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