O número aumenta drasticamente quando somado às agressões militares israelitas em grande escala, uma vez que mais de 30 mil palestinianos foram forçados a abandonar os campos de refugiados de Jenin, Tulkarem e Nur Shams durante uma única operação lançada em Janeiro de 2025, que marca a maior deslocação na Cisjordânia desde a guerra de 1967, destaca o portal numa publicação este sábado.
Só desde o começo de 2026, quase 700 palestinianos foram deslocados de pelo menos nove aldeias e comunidades pastoris, devido à violência dos colonos e das tropas israelitas, às demolições de casas e às restrições de acesso, de acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Para as organizações palestinianas, esta violência na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental ocupadas não é aleatória ou resultado da acção de extremistas isolados. Trata-se de uma política coordenada, deliberada visando alterar a demografia da Margem Ocidental.
«A Cisjordânia está a ser alvo de limpeza étnica, fragmentada e anexada em todos os sentidos da palavra», disse Jamal Jumaa, coordenador da campanha Stop the Wall.
Nos últimos anos – refere o Drop Site News –, o governo israelita e instituições sionistas, como o Fundo Nacional Judaico e a Organização Sionista Mundial, canalizaram mais de 26 milhões de dólares (22 milhões de euros) para os postos avançados ilegais, fornecendo-lhes infra-estruturas e serviços básicos.
Desde os Acordos de Oslo, triplicou o número de colonos na Cisjordânia
As bases para a actual crise foram lançadas pelos Acordos de Oslo, assinados em 1993 e 1995, que dividiram a Cisjordânia nas Áreas A, B e C. Israel manteve o controlo total da Área C, que corresponde a mais de 60% do território e alberga a maior parte das terras agrícolas, dos recursos hídricos e de quase todos os colonatos, asfixiando de forma eficaz o desenvolvimento palestiniano e permitindo o crescimento dos colonatos, refere o portal.
Desde Oslo, Israel triplicou a sua população de colonos na Margem Ocidental. Actualmente, cerca de 750 mil israelitas vivem ilegalmente em colonatos na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, transformando as zonas palestinianas em enclaves cada vez mais fragmentados e isolados.
Nos últimos meses, altos responsáveis israelitas têm defendido abertamente a ocupação formal. O ministro Bezalel Smotrich referiu-se explicitamente à anexação unilateral da Margem Ocidental ocupada e a uma estratégia que descreveu como «o máximo de território, o mínimo de população».
Numa declaração emitida na semana passada, Ajith Sunghay, chefe do Gabinete dos Direitos Humanos da ONU para os Territórios Palestinianos Ocupados, reiterou que «a deslocação forçada de palestinianos no interior da Cisjordânia ocupada é um crime de guerra e pode ser considerada um crime contra a humanidade».
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