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Testemunhas evidenciam «falso ataque químico» em Douma

A representação russa na OPAQ juntou esta quinta-feira, em Haia, 17 testemunhas sírias que afirmam não ter havido um ataque com armas químicas em Douma a 7 de Abril. Tratou-se de uma «encenação».

Imagem do vídeo filmado pelos chamados Capacetes Brancos no Hospital de Douma, exposto como uma «encenação» por alguns trabalhadores do centro hospitalar e «vítimas» de um alegado ataque químico
Imagem do vídeo filmado pelos chamados Capacetes Brancos no Hospital de Douma, exposto como uma «encenação» por alguns trabalhadores do centro hospitalar e «vítimas» de um alegado ataque químicoCréditos / standard.co.uk

Dezassete cidadãos sírios deixaram ontem em evidência, com os seus testemunhos, que o alegado ataque químico perpetrado na cidade de Douma no dia 7 de Abril foi «uma encenação montada», desmascarando as acusações das potências ocidentais contra o governo sírio – destacou Ghassan Obaid, vice-representante da Síria junto da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ).

Valorizando o esforço da Rússia, que organizou a conferência de imprensa, e a presença dos seus concidadãos na capital holandesa, Obaid salientou que as acusações imediatas do Ocidente contra o Estado sírio visavam denegrir e distorcer a imagem do Exército Árabe Sírio, que há sete anos se mantém firme na luta contra o terrorismo.

Essas acusações – disse – basearam-se nas falsas informações apresentadas pelos chamados Capacetes Brancos, organização alegadamente humanitária que opera em zonas controladas por grupos terroristas, apoiada e fundada pelos EUA e pelo Reino Unido.

Com base em acusações não fundamentadas – reiteramente negadas pelas autoridades sírias – e quando uma equipa de investigação da OPAQ se preparava para aprofundar o assunto em Douma, os EUA, a França e o Reino Unido lançaram mais de cem mísseis contra alvos na Síria, no dia 14 de Abril.

Obaid acusou estes países de quererem bloquear a investigação e não estarem interessados em que a verdade venha à tona, e lembrou que a missão síria na OPAQ enviou mais de cem missivas ao secretariado técnico deste organismo, alertando-o para o facto de os terroristas terem em curso a preparação de uma encenação com vista a acusar o Exército sírio de utilização de armas químicas.

«Nem ataque, nem armas químicas, nem vítimas»

Testemunhas do alegado ataque químico em Douma, na região damascena de Ghouta Oriental, disseram ontem que aquilo que se vê no vídeo feito pelos Capacetes Brancos – e usado como pretexto para atacar a Síria – foi, de facto, encenado.

Hassan Diab, de 11 anos e uma das «vítimas» que aparecem no vídeo, já tinha explicado à imprensa, com a sua família, o processo em que se viu envolvido, tendo sido levado à pressa, por homens que diziam que tinha havido um ataque com armas químicas, para o local das filmagens (o hospital). Ali, deitaram-lhe água fria para cima, dele e doutras crianças «assustadas», filmando-as.

Na conferência de imprensa que teve lugar em Haia, falaram diversos membros do quadro de pessoal do Hospital de Douma, deixando claro que não houve um ataque químico, segundo revelam a RT e a agência SANA.

«No dia 7 de Abril, deram entrada no hospital cerca de 20 pacientes com sintomas de dificuldades respiratórias, ligeiras ou moderadas. Os exames clínicos não mostraram quaisquer sintomas resultantes da utilização de armamento não convencional», disse Hassan Eyoun, médico nas urgências.

«Os exames clínicos não mostraram quaisquer sintomas resultantes da utilização de armamento não convencional»

HaSsan Eyoun, médico no hospital de Douma

Um responsável desta mesma unidade, Ahmad Kashoe, disse que, naquele dia, «havia pessoas desconhecidas a filmar nas urgências. Estavam a filmar o caos que ali reinava e pessoas a quem estavam a deitar água por cima». Acrescentou que «aquilo durou cerca de uma hora». «Nós ajudámo-los e mandá-los para casa. Ninguém morreu. Ninguém sofreu de exposição a produtos químicos», disse.

Por seu lado, o médico Khalil al-Jaish referiu que nenhum dos pacientes que deram entrada no hospital no dia do alegado incidente mostrou sintomas neurológicos ou cutâneos, mas apenas problemas respiratórios, causados pela poeira densa no exterior. Disse ainda que, de repente, membros dos chamados Capacetes Brancos começaram a deitar água sobre as pessoas, provocando o pânico generalizado e o caos.

No dia do alegado ataque, deram entrada no hospital pessoas que apresentavam sintomas de inalação de fumo e de asfixia com poeira, disse Muwaffaq al-Nasrim, um paramédico que estava a trabalhar nas urgências. O pânico que se vê nas imagens divulgadas pelos Capacetes Brancos foi provocado sobretudo por pessoas que gritavam sobre um alegado ataque com armas químicas, afirmou Al-Nasrim, que assistiu às cenas de caos. No entanto, afirmou, nenhum dos pacientes mostrava sintomas de exposição a armas químicas.

Laboratórios e armazéns de produtos químicos

Seis das pessoas presentes em Douma no dia do alegado incidente e que ontem estiveram em Haia prestaram declarações aos técnicos da OPAQ, revelou o representante permamente da Rússia neste organismo, Alexander Shulgin. «Os outros também estavam disponíveis», mas os especialistas disseram que «estavam completamente satisfeitos» com aqueles depoimentos e que não tinham mais questões, acrescentou.

Os investigadores da OPAQ já visitaram o local do alegado incidente, em Douma. Shulgin sugeriu-lhes que visitassem também os laboratórios de produtos químicos que os terroristas foram deixando para trás, descobertos à medida que o Exército sírio foi conquistando Ghouta Oriental, de modo a verem «quem está por trás dos ataques com armas químicas na Síria», revela a RT.

Entretanto, de acordo com a Sputnik News, o Exército sírio descobriu um armazém com armas químicas em Douma, no qual foram encontrados produtos químicos produzidos na Alemanha e no Reino Unido.

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