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Alerta para maus-tratos a menores palestinianos nas cadeias israelitas

A Associação Waed de Prisioneiros denunciou as condições que os menores palestinianos enfrentam nas cadeias da ocupação, onde são submetidos a maus-tratos e torturas.

Jovens afirmaram à Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos Palestinianos terem sido severamente espancados pelos militares israelitas da unidade «Nahshon»
(Imagem de arquivo) Créditos / al-monitor.com

Num comunicado divulgado este sábado, a organização não governamental (ONG) referiu-se àquilo que se passa nas prisões israelitas como uma «violação flagrante de todas as convenções internacionais sobre direitos das crianças».

«As crianças presas enfrentam condições de encarceramento severas nas prisões israelitas, incluindo roupa e cobertores insuficientes, nutrição inadequada, sobrelotação extrema e negligência médica deliberada, o que afecta gravemente a sua saúde física e psicológica», sublinha o texto, citado pelo portal palinfo.com.

A associação também chamou a atenção para a prevalência de doenças infecciosas entre crianças e menores de idade devido às más condições de higiene e à negligência médica nos cárceres da ocupação, denunciando que estas práticas são uma «forma de tortura sistemática».

Neste sentido, responsabilizou inteiramente a ocupação israelita pela segurança e as vidas dos menores palestinianos detidos, tendo instado organizações internacionais de direitos humanos a agir de modo urgente para os proteger.

Mais de 600 menores palestinianos detidos em 2025

Na sexta-feira, o Gabinete de Imprensa dos Prisioneiros Palestinianos revelou que as forças de ocupação israelitas prenderam mais de 600 menores nos territórios ocupados em 2025.

Num comunicado a que a PressTV se refere, o organismo denunciou que o regime de Telavive ataca deliberadamente as crianças palestinianas com detenções, interrogatórios brutais e longas penas para assim destruir «o seu futuro, distorcer a sua consciência e espalhar o medo pela sociedade».

A este propósito, Riyad al-Ashqar, investigador do Centro Palestiniano de Estudos dos Presos, disse à imprensa que, com estas acções, Israel pretende afectar o bem-estar físico e psicológico dos menores palestinianos, criar uma geração frágil e temerosa, que hesite em resistir à ocupação.

De acordo com o Gabinete de Imprensa dos Prisioneiros Palestinianos, desde 1967, registaram-se 55 mil casos de detenções de menores pelas forças de ocupação; uma campanha que se intensificou desde Outubro de 2023, com 1700 detenções registadas e «uma escalada sem precedentes na tortura».

Israel cometeu «graves violações durante as detenções, incluindo a detenção de crianças com menos de dez anos, disparos e ferimentos sem tratamento médico, interrogatórios dentro de hospitais e a transferência de feridos para centros de interrogatório antes da sua recuperação», sublinha o comunicado.

Diminui natalidade e aumentam problemas da gravidez em Gaza

O Ministério palestiniano do Desenvolvimento Social alertou para a diminuição da taxa de natalidade na Faixa de Gaza em 40%, bem como para o aumento significativo dos abortos e das complicações da gravidez.

Estes problemas resultam da falta de cuidados médicos especializados, da escassez de medicamentos e materiais básicos, e da dificuldade em aceder a instalações de saúde seguras, afirma a tutela num comunicado em que acusa Israel de ter destruído as infra-estruturas de saúde destinadas a atender as grávidas na Faixa de Gaza.

Por seu lado, Ahmed al-Farra, director do departamento de pediatria e obstetrícia do Complexo Médico Nasser, em Khan Younis, revelou que a agressão israelita ao enclave fez disparar o número de casos de malformações congénitas e de mortes neonatais – de nove para 35 mortes por cada mil nados-vivos nos últimos dois anos.

Em seu entender, os factores ambientais, como a água contaminada e a exposição prolongada ao fumo da queima de lenha, contribuem para os defeitos congénitos entre as grávidas, indica a Al Mayadeen.

O responsável referiu-se igualmente ao aumento de nascimentos prematuros, bem como ao facto de a maior parte dos bebés nascerem com baixo peso, muitas vezes com menos de dois quilos, o que se fica a dever à má-nutrição das mulheres durante a gravidez.

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