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«Chão Verde de Pássaros Escritos»: uma reflexão sobre resistência e literatura

O filme, que acompanha Luandino Vieira no seu regresso ao Tarrafal, estreia a 23 de Abril, dia em se completam 90 anos sobre a publicação, por Salazar, do decreto que instituiu aquela colónia penal.

Rodado em Angola, Portugal e Cabo Verde, o filme Chão Verde de Pássaros Escritos, realizado por Sandra Inês Cruz, «constrói-se como uma reflexão íntima sobre resistência, literatura e os caminhos da memória, cruzando o testemunho pessoal com a evocação histórica».

Luandino Vieira, uma das vozes mais sólidas da literatura em língua portuguesa, nasceu numa família modesta do Ribatejo que emigrou para Luanda, onde o escritor se envolveu no movimento de libertação nacional.

Depois de condenado pela PIDE a passar 14 anos nas prisões do regime colonial português, oito dos quais no campo de concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde, Luandino Vieira regressa a Luanda em 1975, onde assume a direcção da Televisão Popular de Angola (1975-1978) e do Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA (1975-1979).

Luandino Vieira, a quem foi atribuído o Prémio Camões (2006), fundou e dirigiu o Instituto Angolano do Cinema (1979-1984), e participou na criação da União dos Escritores Angolanos.

O Campo de Concentração do Tarrafal, também conhecido pelo Campo da Morte Lenta, abriu a 29 de Outubro de 1936, com a chegada da primeira leva de prisioneiros composta por 152 antifascistas transferidos das prisões políticas do Continente e da Fortaleza de Angra do Heroísmo, nos Açores.

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