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Trabalhadores da hospitalização privada exigem aumentos salariais

Os trabalhadores dos hospitais privados, em greve esta quinta-feira, realizaram uma concentração de protesto junto à associação patronal, exigindo aumentos salariais e a revisão da contratação colectiva.

Concentração dos trabalhadores da hospitalização privada, Lisboa, 28 de Março de 2019
Concentração dos trabalhadores da hospitalização privada, Lisboa, 28 de Março de 2019Créditos / CESP

As acções de protesto realizadas esta manhã juntaram cerca de 60 trabalhadores do sector, em Lisboa, junto à sede da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), representante dos principais hospitais privados do País.

Em declarações ao AbrilAbril, Orlando Gonçalves, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN), afirmou que o protesto é motivado pelas más condições de trabalho do sector e a recusa da APHP em aplicar os direitos previstos na contratação colectiva.

«É a primeira vez que há uma greve na hospitalização privada, no sentido geral. O que se pretendeu neste momento, conhecendo as condições do sector e o clima repressivo, foi demonstrar o enorme descontentamento aqui, junto à associação patronal. Isto era inimaginável há dois anos atrás», frisou.

Segundo o dirigente sindical, os principais grupos privados de Saúde, representados pela APHP, insistem não cumprir a convenção colectiva assinada com o CESP em 2000, apesar de esta estar vigente, tendo argumentado no Ministério do Trabalho que está em «desuso» e daí não cumprirem os direitos previstos.

«De momento, os grupos privados de saúde não cumprem um conjunto de direitos importantes», sublinhou Orlando Gonçalves, que descreveu o clima de precariedade e a prática de «salários muito baixos», havendo trabalhadores com mais de 15 anos de serviço «só a receber o salário mínimo nacional».

Entre as reivindicações, os trabalhadores da hospitalização privada exigem o início de negociações sérias, sem perda de direitos, com vista ao aumento dos salários e ao cumprimento dos direitos previstos na contratação colectiva. Nomeadamente, o pagamento das diuturnidades, do trabalho suplementar pago 100%, passando para o dobro em caso de feriado, o direito ao subsídio nocturno e a garantida de dois dias de descanso semanal.

Segundo Orlando Gonçalves, durante o protesto foi aprovada uma resolução na qual os trabalhadores deram indicações para «prosseguir e intensificar a luta», caso não haja uma resposta satisfatória da APHP.

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