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Tivoli e Avani: hotéis «de luxo», aumentos abaixo da inflação

Pela primeira vez em quase uma década, a NH Rallye Portugal, empresa que gere os hotéis Tivoli e Avani, quebrou as negociações com o SHS/CGTP e aplicou aumentos unilaterais de 2,7%, muito abaixo do valor da inflação de 3,2%.

Créditos / Tivoli

Os hotéis geridos pelo NH Rallye Portugal, com marcas com o Tivoli, a Avani e NH, permitem aos visitantes ter a experiência da «elegância requintada de um hotel de luxo», com «magníficas vistas» e «quartos espaçosos e completamente remodelados, que proporcionam maior conforto». A maravilhosas condições oferecidas nestas unidades hoteleiras contratam com as parcas remunerações atribuídas aos trabalhadores que as fazem funcionar.

Em apenas 5 das dezenas de hotéis geridos pela NH Rallye Portugal no nosso país, o Sindicato de Hotelaria do Sul (SHS/CGTP-IN) recolheu 194 assinaturas de profissionais num espaço de três dias. Nesse abaixo-assinado, os trabalhadores exigiam um aumento salarial mínimo de 70 euros para o ano de 2026. Muito incomodada pela insubordinação dos trabalhadores a exigir uma vida melhor, a empresa «rompeu» imediatamente as negociações com o sindicato, «pela primeira vez em mais de 8 anos de acordos salariais».

Ignorando os trabalhadores e os seus representantes sindicais, a NH Rallye Portugal «decidiu atribuir, por acto de gestão, uma actualização de 2,7%, que corresponde a um aumento salarial mínimo de 27€ para o salário mais baixo existente na empresa», explica o sindicato. É um valor significativamente abaixo da inflação, que se fixava, em Junho, nos 3,2%. De fora ficaram cerca de 90 trabalhadores dos serviços centrais, a quem não foi atribuído qualquer aumento salarial.

Os aumentos reivindicados pelos trabalhadores são justos e equilibrados, considera o SHS, «para a qualidade do serviço prestado pelos trabalhadores ao cliente, profissionais com responsabilidade e formação acima da média» em hotéis de 4 e 5 estrelas e numa empresa que, «só em 2025, teve lucro líquido superior» a 5 milhões de euros. 

Num protesto realizado esta semana, em frente ao Hotel Tivoli Avenida da Liberdade, o SHS denunciou as más condições de trabalho com que o sector do Turismo e Hotelaria sustenta os seus lucros. «Apesar dos bons resultados apresentados, dos prémios internacionais que ganham e pelo serviço de qualidade prestado pelos seus profissionais», a prática continua a ser a dos baixos salários, trabalho «365 dias no ano, fins de semana e feriados, onde abunda a precariedade» e «horários deresgulados, intensivos e constantemente alterados, não possibilitando a conciliação da vida profissional à vida familiar». 

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